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D. Bertrand de Orleans e Bragança

O Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança é trineto de Dom Pedro II e bisneto da Princesa Isabel, a Redentora. É advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da USP. Coordenador e porta-voz do movimento   Paz no Campo, percorre o Brasil fazendo conferências para produtores rurais e empresários, em defesa da propriedade privada e da livre iniciativa. Alerta para os efeitos deletérios da Reforma Agrária e dos movimentos ditos sociais, que querem afastar o Brasil dos rumos benditos da Civilização Cristã, que seus antepassados tanto ajudaram a construir no País, hoje assolado por uma revolução cultural de carater socialista.


D. Bertrand responde no YouTube.
  1. Sobre Paz no Campo
  2. Sobre o MST
  3. Sobre os Quilombolas
  4. Sobre raça negra e escravatura
  5. Sobre o MST e o poder
  6. Sobre invasões do MST
  7. Sobre Reforma Agrária

:: domingo, 15 de janeiro de 2017

Fidel ‘paredón’ Castro

Fidel ‘paredón’ Castro

Para os historiadores que virão, a figura do tirano insular será a de líder cruel e sanguinário

 

*Ives Gandra da Silva Martins

Passada a emoção da morte do mais sanguinário ditador das Américas, que provocou as mais varia das manifestações de tristeza dos decadentes movimentos da esquerda mundial, mister se faz uma análise fria sobre os anos de chumbo em que vivia e vive o povo cubano, os quais se vêm prolongando desde fins da década de 1950, quando Fidel Castro assumiu o poder na infeliz ilha caribenha.

O primeiro ponto a destacar é a falta de respeito aos direitos humanos. Brutalmente, foram fuzilados, ao estilo da era do Terror da Revolução Francesa, sem julgamento nem direito de defesa, milhares de cubanos, nos famosos paredóns. De 1792 a 1794, quando Robespierre assumiu o controle do governo francês, dezenas de milhares de pessoas foram guilhotinadas, condenadas por tribunais populares. Fidel substituiu as guilhotinas pelos paredóns e fuzilamentos em massa.

Naquela época, nos meus primeiros anos de advocacia, em que era ainda popular tomar a bebida denominada Cuba Libre, era hábito pedir nos bares “Cuba sem Fidel”, pois a ditadura lá se instalou desde os primeiros momentos.

Igor Gielow, comparando diversos arquivos de várias instituições e adotando o considerado mais conservador, apresenta 7.326 mortos ou desaparecidos nas prisões cubanas (quase 6 mil fuzilados em paredóns), não se incluindo nesse número os afogados nas tentativas de fuga da ilha, ou seja, 65 mortos por grupos de 100 mil habitantes. Pelos mesmos critérios, o Chile assassinou, sob Pinochet, 23,2 para cada 100 mil habitantes; o Paraguai, sob Stroessner,  10,4; o Uruguai, 7,6; a Argentina, 30,9, no regime militar; a Bolívia, 6,2; e o Brasil, 0,3. É de lembrar que no período militar brasileiro foram mencionados pela Comissão da Verdade 434 mortos ou desaparecidos, negando-se aquela comissão a apurar as 129 mortes provocadas pelos guerrilheiros, algumas em atentados terroristas em logradouros públicos. Por isso foi alcunhada de “Comissão da Meia Verdade”. É certo que, sob o domínio de Raúl Castro, a letalidade do governo cubano caiu, havendo registro de 264 vítimas de 2006 para cá (Folha de S.Paulo, 1.º/12/216).

O segundo aspecto a ser estudado é o da liberdade. Em artigo que publiquei, O neoescravagismo cubano (Folha, 17/2/2014), observei que, após ler o contrato dos médicos cubanos com o governo brasileiro, nele encontrei cláusulas de proibição de receberem no Brasil qualquer visita, mesmo de parentes, sem que houvesse antes autorização de autoridades cubanas. Eles também ficavam com apenas um quarto do salário e transferiam para o governo fidelista três quartos. Mantinha a ditadura, por garantia, seus familiares em Cuba, como reféns, para que voltassem à ilha, eliminando assim o eventual desejo de pedirem asilo às autoridades brasileiras. Talvez nenhum símbolo seja tão atentatório à dignidade da pessoa humana como os termos desse contrato, aceito pelo governo da presidente Dilma Rousseff sem discussão. Não sem razão, o ex-presidente Lula disse ter perdido, com a morte de Fidel, “um irmão mais velho”; José Dirceu declarou, no passado, “ser mais cubano que brasileiro”; e Marco Aurélio Garcia chegou a afirmar que havia “mais democracia em Cuba que nos Estados Unidos”, num de seus costumeiros arroubos.

Quanto à economia, conseguiram os Castros levar sua população à miséria, com salários inferiores à Bolsa Família para a esmagadora maioria dela, independentemente da qualificação profissional. No momento em que ruiu o império soviético e a ilha deixou de ser mantida economicamente pela Rússia, assim como quando desmoronou a equivocada economia Venezuelana, com a perda de apoio do regime chavista – talvez Hugo Chávez ainda estivesse vivo se tivesse ido se tratar em hospitais americanos, e não cubanos –, a economia do país, sem tecnologia, indústria de ponta e investimentos de expressão, viu-se e vê-se sem horizontes, implorando aos americanos apoio para sobreviver, num mundo cada vez mais competitivo.

Politicamente, em lugar de adotarem o modelo chinês, de uma esquerda política e uma direita econômica, o que permitiu à China pular de uma economia com PIB inferior ao do Brasil no início dos anos 1990 para a segunda economia do mundo 20 e poucos anos depois, continuaram, num estilo menos estridente que o do tiranete Nicolás Maduro, a defender o fracasso comprovado, em todos os espaços geográficos e períodos históricos, das teses marxistas, com o que o futuro da ilha está dependendo ou da abertura democrática ou do auxílio externo, pouco provável no mundo em que vivemos.

Fidel Castro instalou a mais longeva ditadura das Américas, só possível por ser pequena a população de seu país e rígido o controle das pessoas, sem liberdade para pensar algo diferente do que pensam as classes dominantes. E os saudosistas brasileiros de uma esquerda mergulhada no maior escândalo de corrupção da História do mundo lamentaram a perda do ditador, cujo irmão, no poder, vê seu mais forte aliado,o incompetente Maduro, verdadeiro exterminador do futuro imediato da Venezuela, mantendo-se à frente de seu governo graças às decisões de um Poder Judiciário escolhido por um Parlamento derrotado, às vésperas de ser substituído, e que se tornou capacho do Executivo.

Friamente examinando o período de domínio do tirano insular, há de se convir que sua figura, para os historiadores que virão, será a de líder cruel e sanguinário, cujo carisma oratório empolgou, todavia, toda uma geração de jovens, a qual acreditou que a melhor forma de combater as injustiças sociais não seria criar empregos e progresso, mas apropriar-se dos bens alheios, mesmo à custa da violência e da destruição dos valores democráticos. Felizmente, essa ilusão começa a ser desfeita, em todos os continentes, pois as ideologias, corruptelas das ideias, não produzem desenvolvimento, mas apenas decepção e sofrimento.

*Professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo e Unifmu, do CIEE/O Estado de S. Paulo, da Eceme, da ESG e da Escola da Magistratura do Tribunal Regional Federal - 1ª região

OESP, 06 Janeiro 2017.

 





:: quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Frente Parlamentar da Agropecuária repudia

Frente Parlamentar da Agropecuária repudia crítica ao agro feita por escola de samba

 

Em artigo publicado no site da Frente Parlamentar da Agropecuária, o presidente da entidade, deputado Marcos Montes (PSD-MG), afirmou que a FPA se soma às associações representativas do agronegócio no repúdio a alguns aspectos do tema escolhido pela escola de samba Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval de 2017 do Rio de Janeiro. Em meio a uma homenagem ao Parque Nacional do Xingu, que é um tema legítimo, a escola de samba resvala em criticas aos produtores rurais, por supostos abusos ocorridos na aplicação de defensivos agrícolas.

“A Imperatriz Leopoldinense vai na contramão da história, uma vez que, depois de muitos anos, finalmente o cidadão dos grandes centros começa a ter as informações mais claras acerca da produção rural, que é rigorosamente fiscalizada dentro e fora do país. Para começo de conversa, se o uso de agrotóxicos nas lavouras fosse indiscriminado, como dizem, o Brasil não seria o grande exportador que é, pois os países importadores não aceitariam nossos produtos”, salientou Marcos Montes.

Ouça a matéria:


Além disso, lembra o presidente da FPA, ninguém é louco para rasgar dinheiro.“Os produtos utilizados para proteger nossas lavouras custam caro. Ninguém cometeria a insensatez de aplicá-los sem critérios. Mais do que isso, o uso dos produtos segue normas estabelecidas em conjunto pelos ministérios da Agricultura, da Saúde, do Meio Ambiente e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).”

Marcos Montes lamenta que a escola de samba tenha caído em um lugar comum já ultrapassado, que é o de criticar aqueles que diariamente produzem alimentos para o Brasil e o Mundo, geram empregos e impedem que a recessão seja ainda mais profunda. “Lamento que o Brasil ainda viva esse tipo de situação. Sabemos que o Carnaval do Rio custa muito caro. Daí, é de se questionar quem e quais os motivos de alguém estar patrocinando uma escola de samba para que ela critique a agropecuária brasileira”, concluiu.

Com informações de imagem da Frente Parlamentar da Agropecuária

Entidades do setor produtivo também repudiam o enredo da Leopoldinense, confira: Imperatriz Leopoldinense une o agro contra o preconceito. Será que o gigante acordou?

 http://www.codigoflorestal.com/2017/01/frente-parlamentar-da-agropecuaria.html#more





:: sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

A falência do sistema carcerário no Brasil

A falência do sistema carcerário no Brasil

             Em brilhante entrevista dada à revista Catolicismo, em abril de 2001, o então Comandante da Academia de Policia da Policia Militar do Estado de São Paulo, Cel. PMESP Jairo Paes de Lira, expõs de maneira lúcida, as principais causas da grave crise do sistema carcerário brasileiro e indicava as medidas para sanar as distorções existentes. Leiam a reportagem:

O público brasileiro já está infelizmente se habituando a um dos importantes fatores do processo de caos que vai se assenhoreando do País: a rápida deterioração do nosso sistema carcerário. Hábito esse perigoso, pois importa numa anestesia da opinião pública.

         Quase diariamente a mídia publica matéria sobre rebeliões em presídios, sentenciados que são mortos por seus próprios companheiros, funcionários e familiares de detentos transformados em reféns, resgates e fugas audaciosas e espetaculares praticadas por criminosos etc., etc. E também a atitude quase sempre leniente e concessiva das autoridades em face de organizações de criminosos, cada vez mais fortes e arrogantes.

         A rebelião simultânea, ocorrida em estabelecimentos penais do Estado de São Paulo no dia 18 de fevereiro último, constituiu um marco importante nessa sinistra escalada. E serviu também de ocasião para solicitarmos a nosso entrevistado – que em agosto de 1999 já havia concedido a Catolicismo substanciosa entrevista sobre o projeto de lei de desarmamento do Governo Federal – uma palavra esclarecedora sobre o candente tema.

         O extenso e qualificado curriculum vitae do atual Comandante da Academia de Polícia Militar de São Paulo, brilhante oficial, credencia-o a abordar com segurança e experiência o assunto. Além dos cursos e simpósios de especialização em temas relacionados com a defesa da ordem pública, de que participou tanto no Brasil quanto no Exterior, o Cel. Paes de Lira exerceu importante papel de comando na operação militar que controlou a grande rebelião do Presídio de Sorocaba, ocorrida em 31 de dezembro de 1997 e 1º de janeiro de 1998.

         Assim sendo, nosso entrevistado não é somente um abalizado conhecedor teórico da temática em questão: ele comprovou na ordem dos fatos a doutrina que expõe.

Catolicismo – Qual é a gênese da rebelião simultânea em estabelecimentos penais do Estado de São Paulo, desencadeada em 18 de fevereiro de 2001?

Cel. Paes de Lira – Não tenho dúvida de que o levante generalizado, que afetou simultaneamente a Casa de Detenção do Carandiru, 24 penitenciárias, duas cadeias públicas e ainda dois xadrezes de delegacias de polícia, ocorreu porque a política penitenciária praticada neste Estado, assim como em outras unidades federativas, nos últimos anos, por sua leniência, aos poucos ofereceu condição favorável à instalação e ao crescimento de facções criminosas relativamente organizadas dentro dos presídios, com ramificações, simpatizantes e braços armados fora deles.

O Congresso Nacional infelizmente tem aprovado, atendendo à pressão da área de direitos humanos do Governo Federal e das notórias organizações não-governamentais que atuam no País, leis que cada vez mais afrouxam o Código Penal, mas principalmente a Lei de Execuções Penais. Por corolário, uma enxurrada de privilégios foi pouco a pouco incorporada ao rol de direitos mínimos que todo recluso tem de ter, a ponto de banir do sistema penitenciário todo resquício de exercício da autoridade pública, subvertida também pelo alto grau de corrupção entranhado no sistema. O excesso de direitos – como o de ócio, o das eufemisticamente chamadas visitas íntimas, o de receber alimentos para estocagem nas celas, o de não usar o indispensável uniforme distintivo dos reclusos,  e outros – eliminou a disciplina presidiária. O sentido retributivo (*) da pena foi completamente abolido, por considerar-se “contrário aos direitos humanos dos internos” e à evolução histórica do Direito Penal.

A par disso, quando a organização interna das facções criminosas começou a prosperar, a Administração Penitenciária, por ocasião das rebeliões que se foram tornando freqüentes, adotou a equívoca conduta de negociar quase a qualquer preço, firmando posição apenas no tocante a não transigir com fugas impostas mediante tomada de reféns. Os líderes dessas facções embrionárias logo se aperceberam da tática correta a adotar, em vista da disposição permanente em negociar: a obtenção de transferências planejadas, a fim de disseminar lideranças por todas as unidades do sistema prisional paulista. De fato, foram muito bem sucedidos nesse propósito, o que fica demonstrado pela notável articulação do movimento maciço a que se refere a pergunta.

Por outro lado, desde a grande rebelião do Presídio de Sorocaba, controlada a duras penas em uma operação policial militar comandada pelo Cel. Rui Cesar Melo, atual Comandante-Geral da Polícia Militar, por mim secundado, em 31 de dezembro de 1997 e 1° de janeiro de 1998, ficou claro, além de toda dúvida razoável, que os detentos decidiram-se a romper uma barreira psicológica crucial, até então verdadeiro tabu: a tomada, se bem que aparente, de reféns entre os seus próprios familiares, aproveitando-se das facilidades proporcionadas pela frouxidão do sistema, em dias de visitação. Esse fato, que constou com todas as letras em relatório encaminhado ao Governo pela Polícia Militar, deveria haver servido de alerta para a radical mudança de posição quanto ao suposto direito de “visita íntima”, de visita de crianças em convívio estreito nos pátios e celas, e de recepção de pacotes vindos do ambiente exterior, com pouco ou nenhum controle. Nada aconteceu e a política penitenciária permaneceu a mesma, em todos os seus itens negativos e perigosos. O que se viu em fevereiro último foi uma “Sorocaba multiplicada por cinqüenta”, em termos de gravidade e de número de reféns-adesistas.

A Lei de Execuções Penais é, por si só, fraca, mas os efeitos da sua prática agravam-se, quando a política concretamente aplicada vai além do próprio texto da lei.

No aspecto dos direitos humanos, cuida-se muito daqueles relativos aos internos, mas esquecem-se os das crianças e adolescentes, filhos deles, submetidos por seus pais e mães, nos dias de visita, à inominável violência de levá-los ao convívio brutal com facínoras dos mais perigosos, no ambiente degradante dos pátios e celas de cadeias. Crianças, desde tenra idade, expostas à visão de bacanais,  de espancamentos e ameaças de morte, de tráfico e consumo de entorpecentes, da exibição do prestígio armado das facções criminosas que mandam nas prisões. Mocinhas de 12, 13 anos, utilizadas pelos próprios pais, nesses dias de visitação que ombreiam com os festivais de Sodoma e Gomorra, como moeda de troca por entorpecentes, cigarros ou telefones celulares. Ou então, para aplacar a sanha de presos mais fortes, que exigem abusar dessas infelizes meninas, das mulheres e irmãs dos mais fracos, sob explícita ameaça de ajuste de contas, caso seja recusada sua maligna demanda. Tudo isso, inacreditavelmente, com o patrocínio do Estado.

Catolicismo – O Governo, a Polícia, dispunham de informações?

Cel Paes de Lira – Sim, havia dados suficientes para demonstrar o crescimento da capacidade de organização das facções criminosas atuantes no sistema prisional. Tais elementos encontravam-se, em especial, em relatórios insistentemente encaminhados pelo juiz aposentado Renato Laércio Talli, durante algum tempo Corregedor da Administração Penitenciária, aos seus superiores.

Catolicismo – O PCC é real? Quais as suas origens?

Cel Paes de Lira – Sim, o autodenominado Primeiro Comando da Capital (PCC) tem existência real, como facção criminosa relativamente organizada. Os estudos do Dr. Talli indicam que ele começou a estruturar-se em 1993, na penitenciária de segurança máxima de Taubaté, em que cumpriam pena os seus fundadores, mas ganhou contornos de organização quando eles foram transferidos para o complexo penal do Carandiru, na capital. O grupo escreveu um “estatuto” e lançou um manifesto lavrado de modo pseudopolítico, sob o lema “Paz, Justiça e Liberdade”. O estatuto impunha aos seus membros rígido comportamento de lealdade, sob pena de morte, e estabelecia bases de ação para a obtenção de privilégios, por meio da pressão permanente contra a Administração Penitenciária. A primeira grande rebelião comandada pela liderança original do PCC foi exatamente a do presídio de Sorocaba, já referida neste texto. Foi o primeiro teste quanto à utilização da massa de visitantes como supostos reféns, a fim de inibir a ação da Força Policial.

Catolicismo – Qual o controle interno que o PCC exerce sobre seus membros? Existe algum processo de iniciação secreta para a admissão deles?

Cel. Paes de Lira – Sempre segundo a investigação do juiz Talli, os membros são admitidos com base no histórico criminal, rejeitando-se aqueles que hajam praticado roubo, extorsão e violência sexual no interior da prisão (frise-se bem, no interior do sistema, não fora da cadeia). Passam por um rito iniciático denominado nada menos do que “batismo”, durante o qual juram lealdade e fidelidade aos princípios do “estatuto” e às lideranças, aceitando sentença de morte, especialmente no caso de deixar de contribuir com os “irmãos”, quando fora da prisão.

Catolicismo – Num manifesto do PCC havia alusão a Che Guevara. Há dados que falem em vinculação do PCC a partidos ou movimentos de esquerda?

Cel. Paes de Lira – Não consta do referido levantamento elemento algum em favor dessa hipótese. Além disso, em minha experiência recente de três anos e meio no trato com rebeliões em estabelecimentos prisionais, em todo o Estado, nunca localizei um só documento que fosse nesse sentido. É bem verdade que o manifesto do PCC utiliza-se de bordões como “liberdade, justiça e paz”“abaixo a opressão”, e define-se como “o braço armado contra o terror dos poderosos, opressores e tiranos”. Mas eles são disparados, sempre, contra a Administração Penitenciária, não contra o regime ou o governo em geral. Minha opinião é que a imagem de Guevara está sendo utilizada mais para conferir à facção contornos, por assim dizer românticos, de um partido ou sindicato que supostamente lute contra um sistema de poder brutal. Trata-se de uma forma de tentar atrair simpatias de certas parcelas da juventude, que têm na lembrança difusa do guerrilheiro comunista um referencial equívoco de luta pela liberdade.

Por outro lado, não tenho dúvida de que o PCC, para organizar-se, bebeu na mesma fonte do chamado Comando Vermelho (CV), facção criminosa atuante no Rio de Janeiro. Portanto, aprendeu na cartilha dos guerrilheiros comunistas das passadas décadas de 60 e 70, que transferiram aos criminosos comuns a sua doutrina de organização e as suas táticas urbanas de roubo a bancos e carros-fortes. Insuspeito autor, Gorender, fundador do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), confirma, na sua obra de suposta autocrítica, Combate nas Trevas, o modo pelo qual os criminosos comuns herdaram, entre os muros do antigo presídio Tiradentes, as técnicas de organização reivindicatória e as táticas de “expropriação”, dos participantes sobreviventes da aventura militarista da esquerda armada.  

Catolicismo – Qual é o papel da corrupção no que toca a essa crise?

Cel. Paes de Lira – A corrupção no sistema prisional torna possível às facções criminosas obter, para emprego nas rebeliões, armas, material de resistência (barricadas, combustível e suprimento alimentar) e, principalmente, equipamento de telecomunicação. Esse último item foi fundamental para o sucesso do desencadeamento simultâneo da rebelião generalizada de fevereiro, bem como para a coordenação dela, a partir das lideranças espalhadas pelos diversos presídios. O telefone celular entra nas prisões por mãos de familiares dos presos e de advogados corruptos, assalariados em base até semanal do crime organizado: isso só pode ser obtido mediante omissão de fiscalização, a peso de ouro. Às vezes – o que resta também demonstrado nos relatórios do juiz Talli – é o próprio agente penitenciário corrupto o introdutor, a preço maior, certamente, por ser maior o risco a correr o mau funcionário.

Catolicismo – Que linhas, pela sua experiência, podem ser adotadas para solucionar a crise?

Cel. Paes de Lira – A crise no sistema penitenciário deve-se considerar estrutural. Exige-se, portanto, e creio que a sociedade paulista finalmente deixou bem clara essa demanda, uma reforma profunda na própria política para o setor. Emergencialmente, devem-se adotar certas medidas comuns em qualquer país civilizado, ao menos para  retomar o princípio da autoridade e a disciplina prisional:

·   Fiscalização eletrônica, e supervisionada, de pessoas e pacotes, em caráter permanente, para acabar com o ingresso de armas, drogas e celulares;

·   Proibição de visitas de crianças, exceto sem contato algum com os presos;

·   Proibição de “visitas íntimas”;

·   Limitação de visitas, em quantidade de pessoas, em tempo de duração e em periodicidade;

·   Monitoração visual e sonora das visitas, respeitando-se no entanto o sigilo da entrevista com advogado regularmente constituído;

·   Proibição de recepção de alimentos para estocagem nas celas;

·   Uso obrigatório de uniforme prisional;

·   Requalificação profissional dos agentes penitenciários;

·   Extinção das poucas masmorras ainda existentes no sistema;

·   Obrigatoriedade, para os internos, de trabalho para custeio do sistema;

·   Concentração dos líderes identificados em um único estabelecimento de segurança máxima, a fim de conter o processo de disseminação de liderança.

A reformulação que se impõe exige, é claro, mudanças legislativas. Mas o Congresso Nacional está em condições de votá-las rapidamente, atendendo aos reclamos da população, que não mais pode ser submetida à ameaça representada pelo exercício da arrogância de facções criminosas, dentro ou fora dos estabelecimentos prisionais deste Estado.

 (*) Sentido retributivo da pena: abrange o aspecto punitivo, conseqüência do crime. (Punitur quia peccatum est).





:: quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O movimento ambientalista brasileiro é uma fraude

O movimento ambientalista brasileiro é uma fraude

Leio no Canal Rural, o braço de comunicação e marketing do Grupo JBS, que o Brasil não produz hoje nem a metade da borracha natural que consome. Consumimos 412 mil toneladas e produzimos apenas 193 mil toneladas. Menos de 1% da produção nacional vem do extrativismo de seringais nativos. O movimento ambientalista brasileiro é uma fraude. Nos anos 80 os ecólatras fizeram o mundo acreditar que o extrativismo era o futuro da Amazônia. Era mentira.


O ambientalismo brasileiro é uma fraude. Diante da incapacidade de alcançar o desenvolvimento sustentável em todas as duas dimensões, os ecólatras esquecem a dimensão social e econômica. Seu foco é a proteção ambiental. Escudados pelos simbolismo do termo sustentabilidade, os canalhas violentam as pessoas.

Veja a matéria do Canal Rural, o braço de comunicação e marketing do Grupo JBS: Setor de borracha no Brasil busca autossuficiência da produção publicada em 25 de Dezembro de 2016.

Aliás, quem conhece o trabalho do Professor Alfredo Homma, da Embrapa Amazônia Oriental, sabe muito bem que os ambientalistas mentem quando oferecem o extrativismo como alternativa sustentável.

Imagem: Composição do fotor.com com fotos de Valter Campanato e Marcelo Camargo, da Agência Brasil, e Arison Jardim, da Secom Acre.

Veja você mesmo:

HOMMA, A. K. O.. Extrativismo vegetal na Amazônia: limites e oportunidades.. Brasília: EMBRAPA-SPI, 1993. v. 1. 202p.

HOMMA, A. K. O.. Extrativismo vegetal na Amazônia: história, ecologia, economia e domesticação. 1. ed. Brasília, DF: Embrapa, 2014. v. 1. 468.
 

Fonte: http://www.codigoflorestal.com/2017/01/o-movimento-ambientalista-brasileiro-e.html#more





:: terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A reforma da reforma agrária2

A reforma da reforma agrária

Urge uma integração agrícola moderna para os assentamentos e pequenos produtores

Gustavo Diniz Junqueira*

A histórica política de distribuição de lotes rurais no Brasil não conseguiu reduzir a pobreza. Olhando para a frente e deixando as ideologias para trás, políticas pragmáticas devem incentivar a integração de assentados, agricultores familiares e agronegócio moderno num só programa: o desenvolvimento.

Toda vez que um ciclo de poder se encerra, há que tirar os ensinamentos antes de se iniciar o seguinte. O último, que teve início no País na redemocratização de 1988,incluía entre seus mitos a crença de que uma reforma agrária era necessária para reduzir a pobreza no campo. Ao longo dos anos, por comprovado fracasso, essa bandeira foi sendo gradualmente abandonada e hoje só sobrevive no fisiologismo dos interessados na distribuição de cargos e recursos federais. Sendo o agro um setor estratégico para o Brasil, devemos ter a coragem, a humildade e a iniciativa de rever dogmas, construir alianças e propor novas políticas relacionadas ao uso da terra, que evitem os erros conhecidos e construam um futuro no qual assentados, pequenos, médios e grandes produtores, assim como indústria e serviços, sejam integrados num único agronegócio.

O Brasil tem o maior programa de reforma agrária do mundo, com 88 milhões de hectares já distribuídos em assentamentos rurais, mas não existem dados oficiais sobre a produção agropecuária, o número de pessoas afetadas e cálculos sobre a riqueza produzida nessas áreas. Em geral, os assentados vivem em estado de miséria e degradação.

A vida de um assentado rural produtivo exige dedicação diária ao trabalho e, por ser autônomo, a abdicação de vários benefícios trabalhistas que trabalhadores tanto rurais como urbanos desfrutam. Com total ausência do Estado, desconectados do modelo econômico do agro e sem alcançar uma escala mínima de produção, esses assentados se veem incapazes de gerar renda efetiva e acabam abandonando ou vendendo de forma irregular os lotes recebidos.

Além de não resolver a questão a que se propunha, a entrega de lotes pelo governo trouxe outros problemas. O programa tornou-se uma ferramenta para negociatas com recursos públicos. Muitos dos terrenos foram redistribuídos para políticos,funcionários públicos e apadrinhados. No início de 2016, a Controladoria-Geralda União (CGU) analisou o cadastro dos assentados – cerca de 1 milhão de famílias. Ao cruzar os dados com os da Receita Federal e os da Previdência Social, a CGU descobriu indícios de fraude em cerca de 76 mil lotes concedidos nos últimos 20 anos. Em abril, o Tribunal de Contas da União encontrou ainda mais fraudes e determinou a imediata paralisação do programa de reforma agrária até que as irregularidades possam ser investigadas.

Enquanto tudo isso acontecia, o que comprovadamente melhorou a vida dos brasileiros foi o inovador modelo da agricultura tropical brasileira. Na maioria dos municípios que têm presença relevante da atividade agropecuária se verificam índices de desenvolvimento humano (IDHs) superiores aos das cidades que não têm essa atividade, nas mesmas regiões. Cidades como Primavera do Leste e Sinop, em Mato Grosso, são frequentemente citadas como duas das que apresentam melhor IDH no Brasil. De acordo com um estudo conduzido pela consultoria Kleffmann e publicado em 2014, o IDH dos municípios agrícolas cresceu 69% de 1970 a 2010, em comparação com os não agrícolas, onde o aumento foi de apenas 57%.

A agropecuária expandiu a produção de alimentos em mais de 300% nos últimos 40 anos, dobrou sua ocupação do território com atividade produtiva, atingindo 60 milhões de hectares de área agricultáveis, e transformou um país tropical, historicamente importador de alimentos, numa potência agroexportadora. Esse setor tem sido nas últimas décadas, também, um dos principais motores de inovação e desenvolvimento no País.

A inovação,conciliada à baixa interferência do governo, levou a uma grande transformação da atividade agropecuária nestes últimos decênios, fazendo a terra deixar de ser o fator determinante de sucesso no agro e a gestão tomar o seu lugar. Com a intensiva adoção de tecnologia e gestão, terras que antes eram inviáveis se tornaram propícias para a atividade agropecuária. Dessa forma, o custo de produção, a escala e a logística passaram a ser os principais fatores de competitividade. Todavia a tecnologia necessita de investimento, a escala precisa de capital e o capital demanda gestão eficiente.

Num cenário assim, a continuidade do programa de reforma agrária com base unicamente na distribuição de terras, desconhecendo a dinâmica econômica e social da atividade agropecuária, é uma clara opção pela pobreza, e não pelos pobres.

Se o objetivo é reduzir a desigualdade ainda presente no campo brasileiro, é imperativo reformar o programa de reforma agrária como conceito e política. A solução passa por transformar o atual programa numa ação de integração agrícola e econômica dos assentamentos ao moderno sistema de produção e comercialização agropecuário. O foco deve ser na evolução social, política e de gestão dessas áreas e pessoas por meio de uma parceria público-privada entre os assentados, os governos estaduais e municipais, as cooperativas agrícolas e de crédito e o setor produtivo privado. O sucesso na atividade agropecuária exige aptidões específicas. Portanto, a integração agrícola dos assentamentos deve incluir um robusto programa de qualificação com base em desempenho individual e a transferência de tecnologia de produção, comercialização e gestão por parte do setor produtivo.

A questão, portanto, é muito mais ampla do que a simples distribuição de terras. Essa política já vem sendo empregada no nosso país desde 1940 e não alcançou seu principal objetivo, que é a redução da pobreza. O que o Brasil precisa é de uma integração agrícola moderna para os assentamentos e pequenos produtores.

* Gustavo Diniz Junqueira é Presidente da Sociedade Rural Brasileira

OESP, 03 Janeiro 2017

 





:: sábado, 31 de dezembro de 2016

Reforma da Reforma Agrária

      Reforma da Reforma Agrária

 

Destaque: A medida provisória vai no caminho certo, ao tirar a reforma agrária da órbita de grupelhos e partidos que usam o problema da terra como arma eleitoral. Mas isso não basta. É preciso ter coragem de assumir o fracasso da reforma agrária. O que falta é dar reais condições – jurídicas, técnicas e econômicas – para que os já assentados participem dos avanços do agronegócio, superem a pobreza e possam colaborar ativamente para o crescimento do País.

Segue editorial de O Estado de São Paulo - 31 Dezembro 2016.

Reforma agrária sem'agentes'

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) condenou a medida provisória (MP) por meio da qual o governo de Michel Temer mudará a política de reforma agrária e de regularização fundiária.Só isso basta para concluir que se trata de uma boa iniciativa.

 Na sexta-feira passada, o governo publicou a Medida Provisória 759/2016, que trata da regulamentação fundiária rural e urbana. Em linhas gerais, no que diz respeito à questão rural, o texto se presta a desburocratizar o processo de regularização das terras em assentamentos e também a facilitar as desapropriações para realizar a reforma agrária.

Segundo o governo, a meta é entregar até o final de 2018 cerca de 280 mil títulos de domínio para assentados, além de acelerar a venda de terras da União para os beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária. A prioridade, segundo informou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), será dada aos 9.332 assentamentos já existentes, nos quais está cerca de 1 milhão de famílias.

Nas contas oficiais, esses 280 mil títulos representam 12 vezes mais do que o total emitido nos 13 anos de governo dos petistas Lula da Silva e Dilma Rousseff, que fizeram da reforma agrária uma de suas principais bandeiras políticas e eleitorais. Além disso, segundo o Incra, a MP garante aos proprietários de terras desapropriadas rapidez no ressarcimento, o que pode reduzir as costumeiras disputas judiciais nessa área.

Os assentados só terão direito ao título definitivo de posse se pagarem pela terra. O pagamento poderá ser feito em até dez anos, com desconto de 20% para áreas maiores e de 60% para áreas menores. Se mais tarde o titular quiser vender aterra, terá de esperar dez anos para realizar o negócio.

A MP procura também resolver uma distorção que havia levado o Tribunal de Contas da União (TCU) a suspender o processo de titulação de lotes. O TCU entendeu como irregular a distribuição de terras para funcionários públicos. Agora, os servidores estão expressamente proibidos de receber os títulos. No entanto, a medida permite que o beneficiário preste concurso público depois de ganhar a titulação.

Mas o aspecto mais significativo da MP, que ajuda a dissipar os ares ideológicos da reforma agrária, são os novos critérios de seleção dos beneficiários do programa,exatamente o ponto que mais irritou o MST. A partir de agora, cabe apenas aos municípios – com base em “parâmetros mais objetivos”, como enfatizou o Incra –organizar a distribuição de terras, dispensando a intermediação dos movimentos de sem-terra. O assentado não precisa mais estar acampado para se candidatar a um lote, ou seja, não tem de estar mais vinculado ao MST e congêneres, situação que havia transformado esses grupos sem personalidade jurídica em agentes oficiais da reforma agrária.

A única tarefa dos movimentos como o MST, como se sabe, era servir de apoio ao governo petista, usando os assentados como massa de manobra. Foi assim que o MST transformou a reforma agrária em próspero negócio imobiliário, garantindo o financiamento de invasões e dos protestos violentos Brasil afora. A medida provisória assinada por Temer acaba com essa boquinha, razão pela qual o MST protestou, dizendo que o objetivo do governo é prejudicar o movimento e “jogar o poder da seleção” dos beneficiários “para o coronel local”, além de“facilitar a venda (de terras) para os grandes proprietários nacionais e estrangeiros”.

A medida provisória vai no caminho certo, ao tirar a reforma agrária da órbita de grupelhos e partidos que usam o problema da terra como arma eleitoral. Mas isso não basta. É preciso ter coragem de assumir que, hoje, não há mais por que falar em ampliação da reforma agrária, uma vez que há cada vez menos gente interessada em trabalhar no campo. O que falta é dar reais condições –jurídicas, técnicas e econômicas – para que os já assentados participem dos avanços do agronegócio, superem a pobreza e possam colaborar ativamente para o crescimento do País.





:: sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Pecuária e defensivos são vítimas de ataques e desinformação,

Pecuária e defensivos são vítimas de ataques e desinformação,

 por Marcos Sawaya Jank

Avanços notáveis têm acontecido no tema da sustentabilidade da agricultura brasileira, seja pela aplicação mais rigorosa das leis, seja pelo uso generalizado de técnicas conservacionistas que trazem ganhos econômicos para os produtores.

Melhorou também o diálogo e a parceria entre empresas, associações, ONGs e grupos de pesquisa, como a Coalizão Brasil Clima Agricultura, Florestas e Agricultura e o Grupo Técnico da Pecuária Sustentável (GTPS), que tem desenvolvido parcerias interessantes e inovadoras.

Porém, no debate atual chamam a atenção dois mitos que continuam sendo repetidos ad nauseam, sem a necessária evidência dos fatos. O primeiro é a acusação de um persistente atraso na pecuária de corte brasileira e o outro é um suposto uso excessivo de defensivos agrícolas pela agricultura.

Esses dois pontos foram levantados em eventos ocorridos na Conferência do Clima em Marrakech, em recente evento no Insper e agora em um artigo desnecessariamente espinhoso de Daniela Chiaretti no 'Valor Econômico' de 5/12, intitulado 'As bravatas de Blairo'.

Utilizamos uma frase deste artigo para tratar da questão do uso de defensivos na agricultura tropical brasileira: 'O Brasil é líder inconteste no uso de venenos lançados sobre o campo, colheitas, trabalhadores, índios, donos de terras, animais, solo, água, produtos agrícolas e consumidores'.

Não é de espantar que o Brasil, com uma agricultura situada entre as maiores e mais produtivas do mundo, seja o país que apresenta o maior consumo de defensivos, erroneamente chamados de 'veneno'.

Ocorre, porém, que o correto não é comparar consumo absoluto, mas sim o relativo, por hectare ou por unidade de produto gerada. Nosso consumo médio de defensivos é de 5 kg de ingredientes ativos por hectare, bem abaixo do observado na Holanda (20,8 kg), no Japão (17,5 kg) e na Bélgica (12 kg), países que gostam de apontar o dedo contra o Brasil.

Um estudo da Kleffmann mostra que, enquanto o uso de defensivos por unidade produzida cresce 120% na China e 47% na Argentina desde 2004, no Brasil ele decresce 3%.

E, ao contrário dos países de clima temperado, que contam com o inverno e a neve para quebrar o ciclo das pragas e doenças, aqui se produz o ano todo sob clima quente e úmido, sendo que em muitos lugares fazemos duas ou até três safras na mesma área.

Especialistas afirmam que, se os defensivos não fossem utilizados, a produção agrícola sofreria uma redução da ordem de 50%, que certamente provocaria desmatamentos adicionais, além do risco de forte elevação dos preços dos alimentos.

Já em relação à pecuária de corte, não há dúvida de que existe grande disparidade na produtividade do gado e das pastagens. Mas ainda assim a evolução do campo foi fantástica: entre 1990 e hoje, a área ocupada com pastagens caiu de 188 milhões para 167 milhões de hectares, ao mesmo tempo em que o rebanho aumentou de 147 milhões para 214 milhões de cabeças, o maior do mundo. Em 2015, a produtividade chegou a 60 kg de carne/hectare, ao crescer impressionantes 143% no período.

Se os 10 milhões de toneladas de carcaça de 2015 fossem produzidos com a tecnologia do início da década de 1990, a pecuária estaria usando não 167 milhões, mas sim 400 milhões de hectares, o que acarretaria em muito desmatamento. Isso comprova que os ganhos da pecuária são evidentes, ainda que heterogêneos.

O 'aprimoramento continuo' da sustentabilidade agropecuária brasileira é um fato inconteste. Ainda temos um longo caminho pela frente, mas não há um único país que tenha avançado em produtividade e conservação ambiental na mesma escala que o Brasil nos últimos 25 anos.

Artigo de Marcos Jank foi publicado originalmente na Folha de São Paulo
 
Fonte Código Floretal




:: quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Neve no Saara! Resfriamento global?

Após 37 anos, volta a nevar no deserto do Saara
FERNANDO MOREIRA

A 'nevasca' durou meia hora | Reprodução/Facebook(Karim Bouchetata)

Fenômeno raro em aldeia argelina | Reprodução/Facebook(Karim Bouchetata)

Boa parte do Hemisfério Norte fica coberta de neve no fim de ano.
Mas o que dizer de neve no Saara? Pois aconteceu!
Pela primeira vez em 37 anos, nevou no deserto africano.
Na tarde de segunda-feira (19/12), contou o 'Daily Mail', o fotógrafo amador Karim Bouchetata registrou o fenômeno na região de Ain Sefra (Argélia), situada a mil metros do nível do mar.
neve caiu por cerca de meia hora.
A neve havia sido vista pela última vez também em Ain Sefra, conhecida como Portão do Deserto, em fevereiro de 1979.
Farol transformado em 'castelo' pela natureza | Reprodução/Facebook(Joshua Nowicki - Photography)





:: quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Caminho da recuperação

As pistas estão no agronegócio

Sinais de recuperação, ainda escassos em outros setores, aparecem bem mais claramente na atividade do campo

 

O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2016 |

A melhora da economia brasileira em 2017, depois de dois anos de recessão, pode começar pelo campo, com uma safra de grãos de 213,1 milhões de toneladas – se o tempo, como se espera, for favorável. Sinais de recuperação, ainda escassos em outros setores, aparecem bem mais claramente na atividade do campo. Se as previsões se confirmarem, os produtores, com mais dinheiro, poderão dar um bom impulso aos negócios, inicialmente no interior e depois em toda a cadeia de circulação de bens e serviços. Além disso, a maior oferta de alimentos e matérias-primas garantirá preços mais estáveis e previsíveis, mas esse efeito dependerá também do desempenho de outros tipos de lavouras e da pecuária. A colheita prevista para a safra 2016-2017 será 14,2% maior que a da temporada anterior, pelos números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), subordinada ao Ministério da Agricultura. Esse aumento compensará com alguma folga o recuo do ano anterior, quando a produção, de 186,6 milhões de toneladas, prejudicada pelas condições do tempo, foi 10,6% menor que a de 2014-2015.

Aumentar a eficiência da economia nacional será um dos principais desafios para os governantes nos próximos anos. Também o agronegócio precisará de mais investimentos, mas o setor já se distingue há muito tempo como o mais competitivo do Brasil. Em 2016, como ocorre há um bom tempo, as exportações de alimentos e outros produtos originários do campo têm sido o pilar mais importante do comércio exterior.

De janeiro a outubro, o agronegócio embarcou mercadorias no valor de US$ 73,1 bilhões. Embora o valor tenha sido 2,2% menor que o de um ano antes, o desempenho foi suficiente para garantir um superávit de US$ 62,1 bilhões. Isso foi mais que suficiente para cobrir o déficit acumulado em outros segmentos e ainda garantir ao País um saldo positivo de US$ 38,5 bilhões. Houve sem dúvida alguma contribuição do setor de manufaturados para a recuperação da balança comercial, mas o agronegócio continuou no papel principal.

Para remontar a política nacional de desenvolvimento, os governantes deveriam refletir mais seriamente sobre o desempenho, no último quarto de século, da agropecuária e da indústria vinculada ao campo. Nesse período a produção aumentou bem mais que a área ocupada pela agropecuária. Ao mesmo tempo, o setor se consolidou como um dos mais competitivos do mundo. No entanto, a agropecuária brasileira é uma das menos subsidiadas, e a diferença se torna muito clara quando a comparação envolve o mundo rico.

Os números têm variado ano a ano, mas, pelos últimos levantamentos, os subsídios agrícolas proporcionam, em média, 17% da renda do produtor, em todo o mundo. As proporções têm estado entre 20% a 25% na União Europeia e na China e em torno de 12% nos Estados Unidos. No Brasil, têm ficado próximos de 5%.

Recursos naturais são parte da explicação, mas a pesquisa e a absorção de tecnologia têm sido os principais fatores de aumento da eficiência no campo brasileiro. É indispensável manter o esforço de modernização, mas o caminho é conhecido. O governo petista chegou a tentar o aparelhamento e a politização da pesquisa, mas houve resistência e pelo menos nessa área a manobra foi de curto alcance.

Mais empenhado em acompanhar os melhores padrões internacionais, o agronegócio tem avançado com limitada ajuda oficial – crédito apenas suficiente, preços mínimos e grande contribuição dos organismos de pesquisa. Na indústria, a interferência governamental, com protecionismo e ampla distribuição de favores, foi insuficiente para produzir inovação e ganhos de competitividade. O governo pode, é claro, fazer mais pelo agronegócio. Uma das tarefas urgentes é promover investimentos em logística. Neste ano, a Confederação Nacional dos Transportes classificou como inadequados 58,2% dos trechos de rodovias examinados em sua pesquisa periódica. Cuidar de problemas como esse rende muito mais que distribuir favores fiscais e financeiros, como fez o PT durante anos.





:: segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Falso consenso

Consenso científico sobre aquecimento global tem pés de barro

Posted: 04 Dec 2016 07:30 AM PST

Pânicos ideologicamente enviesados e não ciência constituem a base do falso "consenso científico" sobre o aquecimento global
Pânicos ideologicamente enviesados e não ciência
constituem a base do falso 'consenso científico' sobre o aquecimento global
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Impor “soluções” drásticas porque 97% dos cientistas diz que virá um cataclismo universal se não são implementadas logo, aqui e agora sem ouvir outra opinião: esse é um dos mais arrogantes sofismas do alarmismo em favor do “aquecimento global”.

Porém, a alegação é patentemente falsa segundo demonstraram no The Wall Street Journal Joseph Bast, presidente do Heartland Institute e o Dr. Roy Spencer, da Universidade de Alabama – Huntsville e pesquisador líder no Advanced Microwave Scanning Radiometer do NASA's Aqua satellite há já alguns anos.

Eles estudaram três fontes principais dessa alegação e concluíram que estavam repletas de erros e tinham origens de escasso valor.

1. Em 2009, a Universidade de Illinois consultou os seus estudantes perguntando se “as temperaturas globais tinham aumentado por uma contribuição significativa do fator humano”.

Ninguém se espantou com o resultado: 97% respondeu “sim”, posta a pressão propagandística e o risco da nota baixa.

Mas só 79 cientistas aceitaram responder à pergunta que tinha um viés tendencioso. Não é fonte para uma informação apresentada como definitiva até em discursos do presidente Obama!

2. Em 2010, um estudante da Universidade de Stanford. Califórnia, escreveu que entre 97% e 98% dos “mais prolíficos postuladores da mudança climática” acreditavam que “os gases estufa de origem humano foram responsáveis pela maior parte do “incontestável” aquecimento”.

Ele, na realidade, só consultou a opinião de 200 especialistas quando esses se contam por milhares. Mais uma fonte de ínfima atendibilidade.

3. Em 2013, o blogueiro John Cook definiu que 97% das ementas (abstracts) dos estudos “peer-reviewed” mostravam acreditar que a “atividade humana é responsável por algum tipo de aquecimento”.

Porém um estudo mais exaustivo do trabalho de Cook mostrava que só 0,3% dos 11.944 trabalhos que ele dizia ter compulsado concluíam que a “atividade humana está causando a maior parte do atual aquecimento”. Nota zero.


Pelo menos 31.072 cientistas americanos pediram por escrito ao governo recusar o falso "consenso"sobre o aquecimento global
Pelo menos 31.072 cientistas americanos pediram por escrito ao governo
recusar o falso 'consenso'sobre o aquecimento global
O fato e que está cheio de cientistas, meteorologistas e investigadores que não acreditam que a atividade humana esteja superaquecendo o planeta.

Só 39,5% dos 1.854 membros da American Meteorological Society que responderam a uma pesquisa análoga em 2012 disseram que o calor gerado pela atividade humana possa ser perigoso.

Finalmente, o famigerado Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) da ONU, reclamou falar em nome de 2.500 cientistas embora muitos deles desmentiu ter assinado o documento ou mesmo ter sido consultados.

Mas o IPCC escreveu em relatório de repercussão mundial que todos esses cientistas afirmam que “está acontecendo uma interferência humana no sistema climático e que a mudança climática representa riscos para os sistemas humanos e naturais”.

Em sentido contrario, o Petition Project, grupo de físicos e químicos sediado em La Jolla, Califórnia, recolheu muitas mais assinaturas — mais de 31.,000 (mais de 9.000 deles com título de Ph.D.), num apelo defendendo a posição oposta.

Veja mais: 31.072 cientistas americanos denunciam exageros de Al Gore e do catastrofismo midiático

O abaixo-assinado foi republicado em 2009, e a maioria dos assinantes reafirmou ou mesmo ampliou sua adesão à primeira versão do apelo.

A petição sustenta que “não há provas científicas convincentes de que a liberação pelos humanos de CO2, metano ou algum outro gás estufa esteja causando, ou possa vir a fazê-lo, num futuro previsível, um esquentamento catastrófico na atmosfera da Terra e uma perturbação do clima do planeta”.

Os doutores Joseph Bast e Roy Spencer avaliando todos esses “pro” e “contra” concluíram com uma clareza de entrar pelos olhos que não há “consenso” entre os cientistas a respeito da existência de um aquecimento global de origem humano do qual possa advir alguma catástrofe.

O mais vergonhoso foi que cientistas alarmistas percebendo que não tinham como fundamental na ciência suas pretensões em matéria de aquecimento climático, começaram a falsificar os dados nos laboratórios.

O mais rumoroso e infame escândalo ficou conhecido como “Climate-Gate”. Nele, foram interceptados e-mails de renomados cientistas combinando como esconder a falta de “aquecimento global” porque os dados não batiam com o que eles queriam.

A imensa NASA também teve cientistas infiéis que cozinharam os registros em 2007. Eles diziam que o ano mais quente do século aconteceu em 1934 quando o alarmismo postula que estamos aquecendo mais e mais e nessa data o mais tórrido ano teria sido o de 1998.

Eles então recalcularam os registros para que parecesse que 1998 tinha sido o mais quente em seus livros até essa data.



O Premio Nobel Ivar Giaever esmaga o “aquecimento global” no Council for the Lindau Nobel Laureate Meeting, 1º de julho 2015. 
fonte: Blog Verde nova cor do comunismo


 




:: segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A morte de Fidel Castro e suas “carpideiras”

A morte de Fidel Castro e suas “carpideiras”

Paulo Roberto Campos

 

Fidel Castro por ocasião de seu aniversário, quando completou 90 anos em agosto passado. Certamente uma das últimas fotos do tirano em público, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro.

Fidel Castro por ocasião de seu aniversário, quando completou 90 anos em agosto passado. Certamente uma das últimas fotos do tirano em público, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro.

 

A choradeira das esquerdas nacionais e internacionais — tanto do âmbito temporal quanto religioso — chegou ao auge e beira ao ridículo com a morte do “coma-andante” Fidel Castro. Este representava para as esquerdas uma utopia que precisava a todo custo sobreviver, apesar de ser tão velha quanto o próprio tirano da Ilha-presídio. Mas a Providência Divina o chamou para prestar suas contas no Supremo Tribunal de Deus.

Fidel Castro por ocasião de seu aniversário, quando completou 90 anos em agosto passado. Certamente uma das últimas fotos do tirano em público, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro.

Enquanto rolam as lágrimas das novas “carpideiras” do século XXI — os companheiros de Fidel e a mídia camarada dele —, o autêntico povo cubano comemora [fotos ao lado e abaixo]. Os cubanos celebram a expectativa do início do esperado fim do tirânico regime comunista que torturou de modo tão cruel, física e psicologicamente, lançando-os escravizados na mais negra miséria moral e material.

Sobretudo os cubanos no exílio, longe das garras do regime opressor, comemoraram euforicamente o dia 25 de novembro; celebrações que em Cuba foram evidentemente mais comedidas — aí daqueles que manifestarem grande alegria…. O luto é imposto e obrigatório! “Hay que llorar”

Fidel Castro por ocasião de seu aniversário, quando completou 90 anos em agosto passado. Certamente uma das últimas fotos do tirano em público, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro.

Para os cubanos autênticos, “No hay que llorar”…

Fidel Castro por ocasião de seu aniversário, quando completou 90 anos em agosto passado. Certamente uma das últimas fotos do tirano em público, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro.

Da obra intitulada “O Livro Negro do Comunismo — crimes, terror e repressão”(1999) [capa ao lado], muito bem documentada e de autores insuspeitos(*), pois pertencentes à ala esquerdista, no capítulo “Cuba. O interminável totalitarismo tropical” (entre as págs. 769 a 789), copiei para nossos leitores alguns trechinhos que demonstram que não há razão para lamentos e prantos. Marquei em negrito algumas frases.

“[...] Em 8 de janeiro de 1959, Castro, Guevara e os barbudos fazem uma entrada triunfal na capital. Desde a tomada do poder, as prisões de Cabana, em Havana, e de Santa Clara foram palco de execuções em massa. De acordo com a imprensa estrangeira, essa depuração sumária fez 600 vítimas entre os partidários de Batista, em cinco meses. Organizaram-se tribunais de exceção, criados unicamente para pronunciar condenações. ‘As formas dos processos e os princípios sobre os quais o direito foi concebido eram altamente significativos: a natureza totalitária do regime estava ali inscrita desde o início’, comprova Jeannine Verdès-Leroux. Realizaram-se simulacros de julgamentos num ambiente de feira: uma multidão de 18.000 pessoas reunidas no Palácio dos Desportos ‘julga’ o comandante batistiano Jesus Sosa Blanco, acusado de vários assassinatos, apontando os polegares para o chão. ‘É digno da antiga Roma!’, exclamou. Ele foi logo fuzilado.

[...]

“Desde a tomada do poder, surdas lutas viscerais minaram o jovem governo revolucionário. Em 15 de fevereiro de 1959, o primeiro-ministro Miro Cardona demitiu-se. Já comandante-chefe do exército, Castro substituiu-o. Em junho, decidiu anular o projeto de organizar eleições livres, anteriormente prometidas para um prazo de 18 meses. Perante os habitantes de Havana, justificou a sua decisão através desta interpelação: ‘Eleições! Para quê?’ Negava desse modo um dos pontos fundamentais inscritos no programa dos revolucionários anti-Batista. Além disso, suspendeu a Constituição de 1940, que garantia os direitos fundamentais, para governar exclusivamente por decreto — antes de impor, em 1976, uma Constituição inspirada na da URSS. Teve igualmente o cuidado de promulgar dois textos legais, a Lei nº 54 e a Lei nº 53 (texto relativo à lei sobre as associações), que limitavam o direito dos cidadãos a associarem-se livremente.

Fidel Castro por ocasião de seu aniversário, quando completou 90 anos em agosto passado. Certamente uma das últimas fotos do tirano em público, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro.

“Castro, que trabalhava então em estreita relação com os seus próximos, tratou de afastar os democratas do governo e, para conseguir esse objetivo, apoiou-se no seu irmão Raul (membro do Partido Socialista Popular, isto é, do PC) e em Guevara, sovietófilo convicto. Em junho de 1959, cristalizava-se a oposição entre liberais e radicais acerca da reforma agrária lançada em 17 de maio. O projeto inicial visava constituir uma média burguesia fundiária através de uma redistribuição de terras. Castro escolheu uma política mais radical, sob a égide do Instituto Nacional de Reforma Agraria (INRA), confiado a marxistas ortodoxos e do qual ele foi o primeiro presidente. Rapidamente, anulou o plano proposto pelo ministro da Agricultura, Humberto Sori Marin. Em junho de 1959, e para acelerar a reforma agrária, ordenou ao exército que tornasse o controle de cem latifúndios na província de Camagiiey.

[...]

“A violência do regime penitenciário atingiu tanto os presos políticos quanto os de direito comum. Começava com os interrogatórios conduzidos pelo Departemento Técnico de Investigaciones, a seção encarregada dos inquéritos. O DTI utilizava o isolamento e explorava as fobias dos detidos: uma mulher que tinha horror a insetos foi encarcerada numa cela infestada de baratas. O DTI usou pressões físicas violentas: havia prisioneiros que eram forçados a subir escadas calçando sapatos recheados com chumbo, e em seguida eram atirados degraus abaixo. À tortura física juntava-se a tortura psíquica, frequentemente com acompanhamento médico; os guardas utilizavam o pentotal e outras drogas, a fim de manter os presos acordados. No hospital de Mazzora, os eletrochoques eram usados com fins repressivos, sem qualquer restrição. Os guardas empregavam cães de guarda, procediam a simulações de execução; as celas disciplinares não tinham água nem eletricidade; o detido que se pretendia despersonalizar era mantido em completo isolamento.

[...]

Fidel Castro por ocasião de seu aniversário, quando completou 90 anos em agosto passado. Certamente uma das últimas fotos do tirano em público, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro.

“A prisão mais tristemente célebre foi, durante muito tempo, a de Cabana [foto ao lado], onde foram executados Sori Marin e Carreras. Ainda em 1982, cerca de cem prisioneiros foram ali fuzilados. A ‘especialidade’ de Cabana eram as masmorras de reduzidas dimensões chamadas ratoneras (buracos de rato). Ela foi desativada em 1985. Mas as execuções prosseguem em Columbio, em Boniato, prisão de alta segurança onde reina uma violência sem limites e onde dezenas de políticos são mortos de fome. Para não serem violentados pelos presos de direito comum, alguns se lambuzam com excrementos. Boniato continua a ser ainda hoje a prisão dos condenados à morte, sejam políticos ou de direito comum. É célebre pelas suas celas de rede de arame, as tapiadas. Por falta de assistência médica, dezenas de prisioneiros encontraram a morte nessas celas. Os poetas Jorge Valls, que devia cumprir 7.340 dias de prisão, e Ernesto Diaz Rodriguez, assim como o comandante Eloy Guttierrez Menoyo, testemunharam as condições particularmente duras que ali vigoram. Em agosto de 1995, ocorreu uma greve de fome lançada conjuntamente pelos presos políticos e pelos de direito comum, a fim de denunciar as condições de vida deploráveis: alimentação péssima e doenças infecciosas (tifo, leptospiro-se). A greve durou quase um mês.

“Algumas prisões voltaram a pôr em vigor as jaulas de ferro. No fim dos anos 60, na prisão de Três Macios dei Oriente, as gavetas (celas), destinadas originalmente aos presos de direito comum, foram ocupadas pelos presos políticos. Tratava-se de uma cela de 1 metro de largura por 1,8 metro de altura, e com um comprimento de uma dezena de metros. Nesse universo fechado, em que a promiscuidade é dificilmente suportável, sem água nem higiene, os prisioneiros permaneciam semanas, às vezes vários meses.

[...]

“As visitas dos familiares proporcionavam aos guardas o ensejo de humilhar os detidos. Em Cabana, eles deviam se apresentar nus perante a família. Os maridos encarcerados eram obrigados a assistir à revista íntima das esposas.

“No universo carcerário de Cuba, a situação das mulheres é especialmente dramática, uma vez que elas são entregues sem defesa ao sadismo dos guardas. Mais de 1.100 mulheres foram condenadas por motivos políticos desde 1959. Em 1963 elas eram encarceradas na prisão de Guanajay. Os testemunhos reunidos estabelecem o uso de sessões de espancamento e de humilhações diversas. Um exemplo: antes de passarem pela ducha, as detidas deviam despir-se diante dos guardas, que lhes batiam. No campo de Potosi, na zona de Lãs Victorias de Ias Tunas, contavam-se, em 1986(**), três mil mulheres encarceradas — estando misturadas delinquentes, prostitutas e políticas. Em Havana, a prisão de Nuevo Amenacer continua a ser a mais importante. Amiga de Castro de longa data, representante de Cuba na UNESCO nos anos 70, a doutora Martha Frayde descreveu assim esse centro carcerário, onde as condições de vida eram particularmente duras:

‘A minha cela tinha seis metros por cinco. cinco. Éramos 22 dormindo em catres sobrepostos a dois ou a três. [...] Na nossa cela, chegou a acontecer de sermos 42. [...] As condições de higiene tornavam-se totalmente insuportáveis. As tinas onde devíamos nos lavar estavam cheias de imundícies. Tornara-se absolutamente impossível fazer a nossa toilette. [...] Começou a faltar água. A limpeza dos banheiros tornou-se impossível. Primeiro encheram e depois transbordaram. Formou-se uma camada de excrementos que invadiu as nossas celas. Depois, como uma onda irreprimível, atingiu o corredor e depois a escada, escoando-se até o jardim’.[...]

Fidel Castro por ocasião de seu aniversário, quando completou 90 anos em agosto passado. Certamente uma das últimas fotos do tirano em público, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro.

“No decorrer do verão de 1994, Havana foi palco, pela primeira vez desde 1959, de violentos tumultos. Candidatos à partida, não podendo embarcar nas balsas, as jangadas improvisadas [foto ao lado], confrontaram-se com a polícia. Nas ruas do bairro Colomb, a avenida marginal — o Malecón — foi saqueada. O restabelecimento da ordem implicou várias dezenas de detenções, mas, finalmente, Castro autorizou novo êxodo de 25 mil pessoas. Posteriormente, as partidas não cessaram, e as bases americanas de Guantánamo e do Panamá estão saturadas de exilados voluntários. Castro tentou igualmente travar essas fugas em jangadas, enviando helicópteros para bombardear as frágeis embarcações com sacos de areia. Cerca de sete mil pessoas pereceram no mar durante o verão de 1994. Ao todo, estima-se que um terço dos balseros morreu durante a fuga. Em 30 anos, teriam sido entre 25 mil e 35 mil os cubanos que tentaram a fuga pelo mar. No total, os diversos êxodos fazem com que Cuba tenha atualmente 20% dos seus cidadãos no exílio. Numa população global de 11 milhões de habitantes, perto de 2 milhões de cubanos vivem fora da ilha. O exílio desarticulou as famílias, e são incontáveis as que estão dispersas entre Havana, Miami, Espanha ou Porto Rico…

[...]

“Em 1978, havia entre 15.000 e 20.000 prisioneiros de opinião. Muitos vinham do M-26, dos movimentos estudantis antibatistianos, das guerrilhas de Escambray ou dos antigos da baía dos Porcos. Em 1986, estimava-se de 12.000 a 15.000 o número de prisioneiros políticos encarcerados em 50 prisões ‘regionais’ distribuídas por toda a ilha.

“Desde 1959, mais de cem mil cubanos conheceram os campos, as prisões ou as frentes abertas. Entre 15.000 e 17.000 pessoas foram fuziladas. [...]”.

(Stéphane Courtois, Nicolas Werth, Jean-Louis Panné, Andrzej Paczkowski, Karel Bartosek, Jean-Louis Margolin, ”O livro negro do comunismo. Crimes, terror e repressão”, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro).

*       *       *

Fidel Castro por ocasião de seu aniversário, quando completou 90 anos em agosto passado. Certamente uma das últimas fotos do tirano em público, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro.

Como acima mencionei, os autores do “O Livro Negro do Comunismo” são esquerdistas. Assim sendo, as cifras por eles citadas devem ser ampliadas, pois, o número de prisioneiros, torturados, fuzilados no famoso “paredón” está baseado em registros oficiais. Mas quantos infelizes “desapareceram” sem nenhum registro? Há outras informações seguras — por exemplo, as que constam no livro “Cuba comunista: vergonha de nosso tempo e de nosso continente” (1997), de autoria do cubano Sergio F. de Paz — denunciando que quase 500.000 de seus conterrâneos foram encarcerados ou passaram por campos de trabalho forçado. Sem falar de dezenas de milhares de cubanos afogados nas tentativas de fuga pelo mar. Também sem registrar que, devido à ideologia materialista do regime comunista, Cuba conta com altos índices de suicídios e abortos. A respeito, recomendo outro excelente livro “Hasta cuándo las Américas tolerarán al dictador Castro, el implacable stalinista que continua oprimiendo al pueblo cubano, y amenazando a naciones Hermanas?”, publicado em 1990 por iniciativa de “Cubanos Desterrados” (Miami). [Foto acima].

Fidel Castro por ocasião de seu aniversário, quando completou 90 anos em agosto passado. Certamente uma das últimas fotos do tirano em público, ladeado por Raul Castro e Nicolás Maduro.

Fidel Castro — palavras inesquecíveis

Com tal “curriculum” nas costas, acumulado por quase 50 anos de tirania comunista, não causa surpresa a declaração de Fidel Castro ao jornalista Jean-Luc Mano, da revista “Paris Match”, em 29-10-1994:

“Eu irei para o inferno, e sei que o calor ali será insuportável… E lá chegando, encontrarei Marx, Engels, Lenine. E também encontrarei você, porque os capitalistas também vão para o inferno, sobretudo se desejam gozar a vida”.

Não se pode desejar o Inferno para ninguém. Convém, entretanto, lembrar que Fidel sabia perfeitamente da existência do Céu e do Inferno, pois estudou em colégio dos Padres Jesuítas, onde fez o catecismo.

Com o desaparecimento de sua única figura carismática e “legendária”, como a esquerda sobreviverá? Como tentará manter-se viva após a morte do tirano? Surgirá algum líder esquerdista substituto ao qual ela possa agarrar-se para não naufragar? Tal homem será do mundo laico ou do mundo eclesial? Conseguirá esse novo líder manter Cuba num regime castrista sem Castro? Quem viver, verá!

Mas, considerado sob outro aspecto, a choradeira dos companheiros do velho tirano é compreensível. Eles temem que um dia Cuba se veja totalmente livre do regime comunista e, desse modo, a antiga “Pérola do Caribe” volte à prosperidade de que outrora gozava.

Encerro transcrevendo o artigo abaixo, que explica esse temor das esquerdas e aponta o papel que Cuba exerce (exercia?) para o comunismo internacional. Seu autor é Plinio Corrêa de Oliveira — o líder anticomunista que mais se dedicou na defesa do povo cubano — e foi divulgado pela “Agência Boa Imprensa” em julho de 1992, ano em que a URSS desmoronava.

 

Cuba e o submarino

Plinio Corrêa de Oliveira

Se há no mundo atual um reduto revolucionário onde a bandeira comunista parece insultar os raios do sol com sua presença, esse reduto é Cuba.

Um pouco por toda parte, os comunistas ficaram estarrecidos e desconcertados com a espetacular degringolada do bloco soviético. Ora, o constatar que a Rússia soviética de repente se pulveriza, representou um baque psicológico espantoso para os comunistas no mundo inteiro.

Entretanto, é um fator de alento para todos eles ver que, na pequenina Cuba, ainda arde uma Tróia comunista, irradiando para as três Américas os seus malfazejos eflúvios eletro-políticos.

A Ilha-Prisão das Antilhas, porém, está imersa no caos. Castro parece estar com ‘falta de ar’, e a única saída possível para a sua delicada situação é o apoio propagandístico que lhe venha do exterior. Nesse sentido, caravanas faceiras de forâneos não têm faltado para lhe dar o indispensável respaldo.

[na foto ao lado, à esq. de Fidel Castro]

Alegres próceres da esquerda católica brasileira, como Frei Betto [na foto ao lado, à esq. de Fidel Castro], Frei Boff e quejandos, lá estiveram. Fazendo coro com ecologistas e tribalistas, esses homens-show da teologia da libertação entregaram-se à mesma lenga-lenga de sempre, cujos termos são mais ou menos os seguintes: Em Cuba, vive-se feliz. Lá há miséria, é verdade. Mas qual é a diferença entre miséria e pobreza? E, no total, uma suportável pobreza não será melhor do que o consumismo?

Não podendo fazer outra defesa da ilha-cárcere, seus propugnadores entregam-se a essas desajeitadas defesas do miserabilismo. E pouco se incomodam de, por essa forma, concorrerem para que ali se perpetuem as brutalidades, as inclemências e os crimes do comunismo staliniano, fracassado no Leste europeu.

[na foto ao lado, à esq. de Fidel Castro]

Tudo isso não obstante, o melhor proveito da presente situação cubana para os interesses do comunismo internacional, ainda acaba sendo aquele de porta-bandeira.

Só para comparar, afigure-se o leitor um submarino no qual o periscópio, ademais de sua função ótica, exercesse também outra, à maneira de escafandro, sendo responsável pela introdução do ar no interior da nave.

Pois bem, Cuba, de momento, representa o papel desse periscópio hipotético. Em meio à tripulação comunista sub-aquática, imersa nas águas da miséria, minguada, desanimada e asfixiada à vista do naufrágio do comunismo russo, ela introduz o ar nesses pulmões. De maneira que, se eles ainda respiram, é porque Cuba respira. E isso é de muito grande alcance.





:: quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Acordo do Clima vai custar US$ 40 bilhões

Acordo do Clima vai custar US$ 40 bilhões ao Brasil, diz Maggi

'Quem vai pagar esta conta?', questiona o ministro da Agricultura em Marrakech
POR BRUNO BLECHER



Maggi lembra que o Brasil tem 61% do seu território coberto por matas e é responsável por 14% da água doce do Planeta (Foto: Agência Brasil)

'Os agricultores e pecuaristas brasileiros são os atores que podem ajudar o meio ambiente, mas devem ser compensados por isto', disse hoje à GLOBO RURAL por telefone o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que está em Marrakech, Marrocos, onde participa da COP 22, a Conferência Mundial do Clima.
Maggi lembra que o Brasil tem 61% do seu território coberto por matas e é responsável por 14% da água doce do Planeta, mas mesmo assim o governo se comprometeu a reduzir os gases efeito estufa.
'Aos produtores rurais cabe a tarefa de reflorestar 12 milhões de hectares e recuperar 15 milhões de pastagens degradadas para melhorar a eficiência da pecuária e evitar novos desmatamentos. Também cabe ampliar a área de plantio direto, a redução uso de nitrogênio nos adubos usando inoculação de rizobiuns nas gramíneas', disse o ministro, que calcula o custo das intenções previstas no Acordo de Paris em cerca de US$ 40 bilhões.

'Quem vai pagar esta conta?', questiona o ministro, acrescentando que os agricultores do Brasil fornecem alimentos a bilhões de pessoas usando 8% do território nacional para plantio e 19,7% para pecuária e ainda preservam às suas custas 11% do território brasileiro em suas propriedades.

'Os produtores de outros países não carregam estes custos nas costas', disse Maggi.

O ministro vai pedir durante a COP 22, em Marrakech, que os produtos agrícolas brasileiros tenham preferência no mercado global, em função de cumprirem regras ambientais rigorosas. Ele falará no painel 'O papel do Brasil, da agricultura e da silvicultura no Acordo de Paris' na próxima quinta-feira (17/11).

'O clima é um fator importante na produção agropecuária do país, o que motiva os agricultores a preservar o equilíbrio ambiental”, disse Maggi.





:: quinta-feira, 17 de novembro de 2016

COP 22: Ministro joga as cartas

Blairo Maggi põe a Reserva Legal na mesa das negociações climáticas COP 22


Como havia prometido, nosso Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, cobrou hoje na Conferência do Clima, em Marrakech, um tratamento diferenciado à agricultura brasileira em função das nossas restrições ambientais. 

Ao final da palestra do Professor Marcos Jank, Maggi fez uma explanação clara sobre o custo privado da nossa Reserva Legal ressaltando o peso desse custo na competitividade da nossa produção em relação aos nossos concorrentes. Veja o vídeo.

O Ministro colocou o custo privado do Código Florestal Brasileiro na mesa das negociações climáticas. 'Imputar sobre o produtor brasileiro o custo de reflorestamento mais o custo do Código Florestal sem que haja uma contrapartida financeira ou de preferência de mercado dos países ricos, nós não vamos conseguir avançar', disse Blairo.

'Aos produtores rurais brasileiros cabe a tarefa de reflorestar 12 milhões de hectares e recuperar 15 milhões de pastagens degradadas para melhorar a eficiência da pecuária e evitar novos desmatamentos. Também cabe ampliar a área de plantio direto', disse o ministro, que calcula o custo das intenções previstas no Acordo de Paris em cerca de US$ 40 bilhões.

Este blogger, que tem clareza sobre essa nuance da nossa lei florestal há vinte anos, riu muito da cara do Fernando Sampaio nesse vídeo. Além de Marcos Jank e Fernando Sampaio, no vídeo também estão o Presidente da Embrapa, Maurício Lopes, o Diretor Técnico da CNA, Assuero Veronez e o Senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE).

Imagem: Ministério da Agricultura e video publicado originalmente na página do Ministro Blairo Maggi no Facebook.



Donald Trump brasileiro?: Blairo Maggi pedirá, na COP 22, compensação à agropecuária brasileira por cuidados ambientais



O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) adotará uma posição firme na COP 22, a Conferência da ONU sobre o clima que se realiza até a próxima sexta-feira (18) em Marrakech, no Marrocos. O ministro Blairo Maggi, que integra a comitiva de governo, defenderá que os produtos agropecuários brasileiros tenham preferência no mercado global, em função de cumprirem regras ambientais rigorosas.

O ministro vai reforçar que o Brasil tem 61% de sua vegetação nativa preservada e de adotar práticas protecionistas no cultivo, como o plantio direto, por exemplo. Blairo Maggi, que falará na próxima quinta-feira (17) no painel O papel do Brasil, da agricultura e da silvicultura no Acordo de Paris, tem defendido que ministros da área participem cada vez mais das discussões internacionais sobre meio ambiente, ”colocando a realidade do produtor nas grandes decisões”.

O assessor especial do Mapa para Desenvolvimento e Sustentabilidade, o ambientalista João Campari, que integra a comitiva do Ministro, lembra que Blairo Maggi cobrará compensações pelas práticas e regras ambientais seguidas por agricultores brasileiros. “Queremos ser compensados por todos esses cuidados que são compartilhados com o bem-estar da população dos demais povos”, destaca. “Temos aqui leis muito severas para o uso da terra, mais do que em qualquer outro país”, acrescenta.

Veja o que este blogger escreveu quanto Blairo Maggi anunciou a contratação de João Campari para o Mapa: Ambientalista assume assessoria especial do Ministro da Agricultura

O ministro vai defender ainda a pecuária, em contraponto a opiniões de que a produção de gado contribui para poluir a atmosfera. Artigo publicado na conceituada revista Nature, assinala Campari, revelou que os gases dos animais são compensados pelas pastagens plantada para alimentá-los.

Uma pesquisa realizada pela consultoria Kleffman Group mostra que os produtores brasileiros já cumpriram as metas estabelecidas no Acordo do Clima com 14 anos de antecedência. O estudo sobre a Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) é o destaque da edição de novembro da revista Globo Rural que está nas bancas. O estudo, objeto da reportagem de capa,

O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Odilson Silva, e o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Lopes, também viajam a Marrakech.

Com informações e imagem do Mapa





:: quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Vereador indígena pede investigação

Vereador indígena defende que Polícia Federal investigue indústria da invasão de propriedades


Vereador defende que Polícia Federal investigue quem está por trás das ocupações de áreas nas imediações da Reserva Indígena e alerta as autoridades sobre estranhos. (Foto: Marcos Ribeiro)

O vereador indígena Aguilera de Souza (PSDC) classificou ontem como 'muito importante' as denúncias feitas pelo cacique guarani Renato Machado, uma das principais lideranças da Reserva Indígena de Dourados, sobre uma manipulação nas invasões de propriedades vizinhas às aldeias. 'Li a matéria antes de sair de casa e posso afirmar que essa situação preocupa muito as famílias da Reserva Indígena de Dourados, mesmo porque não concordamos com essas ocupações', enfatizou Aguilera de Souza em entrevista por telefone. Ele passou o dia ontem em Ponta Porã e retornaria para Dourados somente no período da noite.

Um dia antes, durante a sessão da Câmara Municipal de Dourados, o vereador ocupou a tribuna para cobrar uma investigação séria da Polícia Federal (PF) sobre a presença de famílias indígenas de outros municípios e até de outras etnias nas ocupações de áreas particulares em Dourados. 'A Polícia Federal precisa investigar isso, porque essas pessoas vem de outras localidades e acaba passando para a sociedade a impressão que as ocupações estão partido das famílias indígenas de Dourados', ressaltou o vereador.


Vereador Aguilera de Souza afirma que índios de outras etnias e de outras cidades estão inflando invasões de propriedades. (Foto: Divulgação)

Na visão do parlamentar douradense, está em curso uma 'indústria de invasão' que não resolverá a falta de terras para as famílias que queiram produzir para viver do próprio sustento. 'Também precisamos destacar que a violência é muito elevada entre as comunidades indígenas e que o sangue dos povos está nas mãos de toda sociedade a partir do momento em que o Estado não se preocupa em desenvolver políticas públicas voltadas para nossa gente', desabafou Aguilera de Souza.

Na tarde de ontem, a deputada estadual Mara Caseiro (PSDB), presidente da CPI do Cimi na Assembleia Legislativa, classificou como graves as denúncias feitas pelo cacique guarani Renato Machado em entrevista exclusiva ao O PROGRESSO. A liderança afirmou que as invasões de 14 áreas ur banas às margens da Perimetral Norte, não representam a vontade das lideranças das Aldeias Bororó e Jaguapirú. 'Ali tem professores de Amambai, diretora de escola, professores e servidores de universidade e até funcionário público que estão querendo apenas um terreno', denunciou Renato. 'Minha preocupação é que essas invasões acabem provocando discriminação da sociedade douradense com os povos indígenas, mesmo porque convivemos pacificamente com a população e nunca invadimos terra de ninguém', completou o líder indígena.

O deputado Zé Teixeira classificou como muito grave a denúncia que as invasões de sítios e pequenos lotes às margens da Perimetral Norte não partiram da comunidade e estão sendo orquestradas por pessoas de outras aldeias e funcionários de ONGs que incentivaram a invasão. 'Fiquei estarrecido ao ler que os líderes das invasões chegaram a procurar as lideranças das aldeias Jaguapirú e Bororó em busca de apoio para as ocupações', ressaltou Zé Teixeira.

Mara Caseiro, 3ª vice-presidente da Assembleia Legislativa, também comentou a denúncia. 'O cacique Renato Machado afirmou que se fosse identificada cada pessoa responsável pelas ocupações, as autoridades saberiam quem é da reserva indígena e quem veio de fora', alertou a deputada.

A deputada defende que a Assembleia Legislativa colha o depoimento de lideranças como Renato Machado para esclarecer as invasões. 'Temos que ouvir essas vozes de indígenas indignados com a essa situação instalada não apenas em Dourados, mas em todo o Mato Grosso do Sul', completou. 'Devemos chamar esse cacique para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pois contribuirá muito para nossa investigação imparcial e responsável', destacou Mara Caseiro.



 
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Sem Medo da Verdade 
Boletim Eletrônico de Atualidades - N° 308 - 16/11/2016 
www.paznocampo.org.br





:: segunda-feira, 14 de novembro de 2016

COP22 em suspense

Ambientalismo radical sem rumo na COP22 Promessas de Trump trazem esperança

Posted: 13 Nov 2016 03:58 PM PST

COP22 01, feita para impor medidas ditatorialistas caiu na confusão com a eleição de Trump
COP22 01, feita para impor medidas ditatorialistas caiu na confusão com a eleição de Trump
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A Cúpula do Clima COP22 (Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática 2016) iniciou em Marrakesh suas sessões pouco antes da eleição presidencial nos EUA.

O objetivo era específico: transformar em normas concretas os utópicos objetivos fixados na COP21, em dezembro de 2015, em Paris.

O obstáculo máximo era – e continua sendo – a ratificação do acordo parisiense pelos EUA. Embora o presidente Obama e o Secretário de Estado John Kerry tenham assinado esse cerebrino acordo, a lei americana exige a ratificação dos acordos internacionais pelo Senado em Washington.


Porém, antes da eleição do novo presidente, já esse Senado tinha maioria republicana que tudo levava a crer que recusaria dita ratificação.

Nesse caso, o acordo de Paris, ficaria tão oco e ineficiente para os utopistas verdes como o protocolo de Kyoto.

Mas os representantes da confraria universal ambientalista reunidos e bem pagos pela ONU e pelos respectivos ministérios e secretarias do Meio Ambiente do mundo todo pareciam ter acreditado na imensa mentira de uma vitória da democrata Hillary Clinton.

Então seria a grande festa: os EUA capitularam!

A maior potência industrial e maior impulsionador da prosperidade como meta da civilização, da propriedade privada e do agronegócio, aceitaria as drásticas imposições miserabilizantes que se cozinhariam no COP22.

Da China, maior poluidor universal ninguém protestaria. Assinou tudo, prometeu tudo, mas deixou claro que acataria os compromissos segundo lhe desse na telha. Em poucas palavras, desrespeitaria tudo. E a confraria verde-vermelha não teria nada a dizer.

A COP21 fixou objetivos assustadores, a COP22 devia consumar opções escorchantes
A COP21 fixou objetivos assustadores, a COP22 devia consumar opções escorchantes
Mas eis que a realidade bateu na porta da magna assembleia dos utopistas e Marrakesh.

Como escreveu o correspondente do jornal “El Mundo” de Madri, “todos os esforços coroados de sucesso nos últimos anos para criar um mínimo de consenso podem voar pelos ares da noite para a manhã após a eleição para presidente dos EUA de um cético recalcitrante que chegou a qualificar a mudança climática de ‘conto da carochinha’. Literalmente”. 

Nós também achamos que é um ‘conto da carochinha’ e discernimos que por trás dele há uma manobra de metamorfose do comunismo, falido com a URSS, e que tenta voltar travestido de verde.

O jornal espanhol lembrou outras afirmações muito verdadeiras de Donald Trump como “as turbinas eólicas, ou aerogeradores, são a pior ameaça contras as águias... Isso que fala a mídia sobre o aquecimento global é uma ficção”.

O recém-eleito anunciou que poria na direção de sua equipe de transição na poderosa Agência de Proteção do Meio Ambiente (EPA) ao “cético mor” Myron Ebell, que condenou a ratificação do acordo de Paris por parte de Obama de “clara usurpação inconstitucional da autoridade do Senado”.

Essa “usurpação” visa impedir que o Senado pudesse recusar o acordo de Paris.

O jornal reconhece que se os EUA dão marcha ré, será impossível evitar que tirem o corpo os países emergentes responsabilizados pelas maiores emissões de CO2.

Até a própria União Europeia, uma das maiores fanáticas das miragens aceitas no acordo, hoje debilitada pelo Brexit, poderia reformular seus objetivos.

Nesse caso, o acordo de Paris – pomposamente apresentado como “legalmente vinculante”—viraria “papel molhado”.

Um pânico discreto correu por Marrakesh que se assemelhou a um formigueiro que recebeu um pisão, para usar uma imagem da natureza.

Os militantes das ONGs verdes ali presentes fizeram censuras radicais à decisão do povo americano, que revelaram antes de tudo seu ditatorialismo e impotência.

Em outubro, Trump externou a intenção de “eliminar entre 70% e 80% das regulações do EPA”, equivalente a nosso Ministério de Meio Ambiente.

“Faz frio em Nova Iorque e estamos em julho, onde diabos está a mudança climática?”, escreveu Trump em sua conta de Twitter.

O ministro de relações exteriores do Marrocos Salaheddine Mezouar, tentou tranquilizar a torcida internacional verde, anunciando que tentará um diálogo com a nova administração americana.

Mas a verdadeira tranquilidade virá com a aplicação séria das promessas do novo eleito que afastem o pesadelo das legislações e controles que afogam o progresso dos países livres.

O blog “Código Florestal” sublinhou muito a propósito que a “vitória de Donald Trump mostra a força oculta do mundo rural”.

“O povo da roça surpreendeu indo em massa às urnas e consagrando a vitória de Trump.

“A professora de Ciências Políticas da Universidade de Wisconsin-Madison, Kathy Cramer, passou a última década no interior do estado de Wisconsin conversando com a população rural sobre política e oferece uma boa explicação para a eleição do Republicano:

“As pessoas do campo se sentiam maltratadas, como se não estivessem recebendo sua parte.

“’Esse sentimento é composto principalmente de três coisas’, explica Cramer.

‘Primeiro, as pessoas sentiam que não estavam recebendo uma parte justa das decisões políticas. Por exemplo, as pessoas diziam: Todas as decisões são tomadas em Madison e Milwaukee (grandes cidades) e ninguém está nos ouvindo.

‘Ninguém está prestando atenção, ninguém está vindo aqui e nos perguntando o que pensamos. As decisões são tomadas nas cidades, e temos de cumpri-las.

Acordos prévios garantiram que a COP22 incluiria as teorias da
Acordos prévios garantiram que a COP22
incluiria as teorias da 'Laudato Si' impregnadas de Teologia da Libertação
‘Segundo, as pessoas reclamavam que não estavam recebendo uma parte justa de serviços públicos. Havia no campo uma sensação de que toda a atenção pública e o dinheiro era sugado por Madison (capital), mas nunca gasto em lugares como o deles’, diz ela.

“E em terceiro lugar, as pessoas sentiam que não estavam sendo respeitadas. ‘Elas diziam: A verdade é que as pessoas na cidade não nos entendem. Eles não entendem o que é a vida rural, o que é importante para nós e quais os desafios que enfrentamos. Eles pensam que somos um monte de roceiros racistas’, disse Cramer ao The Washington Post.

“Quando falamos de população rural – acrescenta Código Florestal – aqui não estamos falando apenas de quem vive na roça. Mas de quem vive em comunidades, mesmo em cidades, ligadas ao campo e longe dos centros de poder que sugam os recursos e atenção pública e desdenham do mundo rural.

“Esse ressentimento acumulado no campo por décadas deu a vitória a Donald Trump e está também presente aqui no Brasil. Que fique a lição para nossos políticos.

“Este blog não enxerga ninguém, nenhum líder, no Brasil capaz de dar vazão a esse sentimento do mundo rural”, concluiu “Código Florestal” .

Nosso blog “Verde: a cor nova do comunismo” tampouco enxerga esse líder de que Brasil tem tanta necessidade e que até clama em altas vozes por ele quando censura a corrupção e má conduta da classe política.

Aguardamos com esperança que a administração de Donald Trump ponha em prática suas promessas, sem renunciar entretanto a uma atitude saudável de crítica construtiva e desconfiança positiva .

Agindo segundo prometeu, o novo presidente transmitirá uma mensagem altamente benéfica para o mundo todo, com destaque para o nosso Brasil, tão maltratado pela seita verde-anarquista. Fonte: Blog Verde a nova cor do comunismo.






:: sábado, 12 de novembro de 2016

Francisco, movimentos “populares” e cheque em branco

Francisco, movimentos “populares” e cheque em branco

5 de novembro 2016: Papa Francisco, no Auditório Paulo VI (Vaticano), no III Encontro Mundial dos Movimentos Populares

Ao tentar revitalizar as combalidas esquerdas latino-americanas, desacreditadas por fragorosas e sucessivas derrotas, o Papa Francisco reafirma a cada dia o caminho esquerdista de seu Pontificado e parece querer assumir o papel de líder revolucionário. Com essa postura, que compromete seriamente o seu prestígio e decepciona um número cada vez maior de católicos, não se sabe realmente aonde ele deseja chegar, pois, ao mesmo tempo, parece esquecer-se do drama do povo cubano, escravizado por 50 longos anos de ditadura comunista.

Gonzalo Guimaraens – Destaque Internacional (*) 

Com um discurso empolgado para 170 agitadores sociais de mais de 65 países dos cinco continentes, o Papa Francisco concluiu no dia 5 de novembro, no Auditório Paulo VI, no Vaticano, o III Encontro Mundial dos Movimentos Populares [foto acima] (no final, o link para a íntegra de tal discurso).


No Encontro, o líder marxista do MST, Stédile, 
cumprimenta o Papa
Ele se referiu aos agitadores comuno-católicos João Pedro Stédile, chefe do MST e promotor da violência no Brasil, e Juan Grabois, do “movimento de trabalhadores excluídos” e incentivador da violência nas periferias de Buenos Aires, na Argentina, chamando-os de “poetas sociais” e “seguidores de Jesus”.

Em seguida, deu-lhes um “cheque em branco” para promoverem a revolução social: “Faço meu o grito de vocês”, disse textualmente o Pontífice. 
Participou do Encontro o ex-presidente e ex-guerrilheiro José Mujica, do movimento terrorista Tupamaros, que assolou o Uruguai nas décadas de 60 e 70.
Após sussurrar uma discreta ressalva — “talvez não estejamos de acordo com tudo” —, sugeriu-lhes deixar de lado “certos nominalismos declaratórios, que são belas frases, mas que não conseguem sustentar a vida de nossas comunidades”, e partir para a agitação contra os atuais sistemas socioeconômicos, que qualificou de “terroristas”. Em seguida, convocou os “movimentos populares” a não aceitarem e não se deixarem “desmobilizar” por “implantes cosméticos” ou “planos assistenciais”, a não se deixarem “conduzir como gado” e a rechaçarem a “tentação da canga”, que reduziria os agitadores a um papel de “atores secundários”. 
Delegação do Brasil no Encontro no Vaticano com os dizeres 'Fora Temer'

De modo difícil de entender, o Papa Francisco reafirma o caminho esquerdista de seu Pontificado, em momentos em que as esquerdas latino-americanas estão sofrendo fragorosas derrotas. O Papa parece desejar assumir um papel de líder revolucionário, tentando revitalizar as esquerdas latino-americanas que estão caindo no maior descrédito. Realmente, não se sabe aonde ele pretende chegar com essa insistência em apoiar as esquerdas, comprometendo seriamente o prestígio de seu Pontificado e causando decepção em inúmeras pessoas. Ao mesmo tempo, ele parece se esquecer do drama do povo cubano, escravizado por 50 longos anos de ditadura comunista.

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(*) Notas de “Destaque Internacional”. Documento de trabalho, em 6 de novembro de 2016. Este texto, traduzido do original espanhol por Paulo Roberto Campos, pode ser reproduzido em qualquer mídia impressa ou eletrônica. 
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Editoriais Relacionados: 
Francisco, 'beatificação' publicitaria de revolucionários e 'vendaval' social 
(sobre o I Encontro Munidal de Movimientos Populares, realizado en Roma en 2014) 
http://www.cubdest.org/1406/c1411franciscomst.htm

Bolívia: Francisco, a foice e o matelo”
(sobre o II Encontro Mundial de Movimentos Populares, realizado em Santa Cruz de la Sierra, Bolivia en 2015). 
http://www.cubdest.org/1506/c1507franciscoboec.htm

Francisco, consumismo, miserabilismo e Boff
http://www.cubdest.org/1506/c1507franciscomiser.htm

Francisco, aventura ecológica e “lacuna” científica 
http://www.cubdest.org/1506/c1507franciscoeco.htm 

Francisco, os comunistas e os pobres
http://www.cubdest.org/1506/c1506pobresfran.htm

Francisco, ecoterrorismo e miséria
http://www.cubdest.org/1506/c1505eco.htm 

Texto completo do discurso de Francisco
http://movimientospopulares.org/el-discurso-completo-de-papa-francisco-a-los-movimientos-populares/ 





:: segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A máfia do clima

Alarmistas 'formam uma máfia que se apossou da questão clima', dizcientista dinamarquês

Posted:06 Nov 2016 01:30 PM PST

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Nesta semana entrou em vigência o acordo de Paris, assinado na COP21 em dezembro de 2015.

Ainda falta muito para saber se vai ser posto em prática pelas maiores economias responsabilizadas do 'aquecimento global'.

Nas circunstâncias atuais, continuam válidas as posições expostas por Bjorn Lomborg, cientista político dinamarquês, em entrevista a VEJA na sede da COP15, em Copenhague.

As suas declarações giraram em volta do escândalo do “Climagate” um caso de corrupção científica-ideológica que tinha no fulcro grandes ativistas do 'aquecimento global'.

Chama a atenção o quanto a situação atual de deturpação de dados continua vigente, e acrescida, nos ambientes aquecimentistas. Por isso reproduzimos a continuação 

Qual foi o estrago do 'climagate'?

O que está claro é que havia uma inclinação evidente para não compartilhar dados com pesquisadores cujos trabalhos não reforçariam a teoria do aquecimento global. Possivelmente, os dados foram mascarados, o que não significa exatamente uma falsificação.

O escândalo não pode ser considerado apenas uma tempestade em copo d’água. O que eles fizeram é muito sério e perturbador. Tem implicações muito maiores.

Esses cientistas formam uma máfia que se apossou da questão do clima.

Tive muitos problemas com essa máfia do clima. Quando estava escrevendo meu livro, tentei me corresponder com alguns daqueles pesquisadores que detinham dados pelos quais eu tinha interesse.

Recebi de volta algumas mensagens em cujo campo de destinatário eu fui incluído por engano. Foram mensagens reveladoras. Elas diziam: 'Esse homem é perigoso. Não forneçam nenhum dado a ele. Devemos ter cuidado em não deixar que nossas informações apareçam em pesquisas públicas'.

Por que o senhor é cético em relação ao aquecimento global?

Discordo da forma como as discussões sobre esse tema são colocadas. Existe a tendência de considerar sempre o pior cenário – o que aconteceria nos próximos 100 anos se o nível dos mares se elevar e ninguém fizer nada.

Isso é irreal, porque é óbvio que as pessoas vão mudar, vão construir defesas contra a elevação dos mares.

No entanto, isso é só uma parte do que tenho dito. Sou cético em relação a algumas previsões, sim. Mas sou cético principalmente em relação às políticas de combate ao aquecimento global.

O problema principal não é a ciência. Precisamos dos cientistas. A questão é que tipo de política seguir. E isso é um aspecto econômico, porque implica uma decisão de gastar bilhões de dólares de fundos sociais.

Em outras palavras, não sou um cético da ciência do clima, mas um cético da política do clima. Basicamente, digo que não estamos adotando as melhores políticas porque não estamos pensando onde gastar o dinheiro para produzir os maiores benefícios.

Com que cenários é razoável trabalhar quando se fala da elevação do nível dos oceanos?

Quando perguntamos aos cientistas do IPCC qual seria o resultado mais provável do aquecimento sobre o mar, eles disseram que o nível das águas subiria entre 18 e 59 centímetros. Esse é o parâmetro mais aceitável. Não faz sentido trabalhar com cenários de até 6 metros, como quer o Al Gore, ex-vice-presidente americano. Porque é tão improvável que isso aconteça quanto que não haja elevação alguma.

Análises e argumentos baseados no pior dos piores cenários induzem ao pânico, e o pânico não é a melhor forma de fazer um bom julgamento.

Quais são esses impactos?

Costumamos esquecer que a maioria dos lugares ricos no mundo conseguirá lidar com o aquecimento global.

A Holanda tem 60% de sua população vivendo abaixo do nível do mar. O principal aeroporto de Amsterdã fica 3 metros e meio abaixo do nível do mar. É simplesmente uma questão de tecnologia. Ninguém que vai à Holanda fica pensando: 'Ai, meu Deus, estou abaixo do nível do mar'.

Não que isso não seja problemático ou custoso. Mas é um custo que chega a 0,5% ou no máximo 1% do PIB.

Então, é bom enfatizar, o Rio de Janeiro nunca vai submergir, tampouco Nova York. Nos últimos 150 anos, o nível do mar subiu 30 centímetros.

Fala-se muito do impacto causado pela forma como as pessoas desperdiçam produtos e energia. Como o senhor faz no seu dia a dia?

Há muita confusão em torno desse debate sobre consumo ético, como se a questão toda se resumisse ao que a pessoa faz. Acho que reduzir tudo à idéia de que você deve fazer algo sobre seu consumo não é o melhor caminho.

Ambientalismo radical quer mudar a natureza humana, para escravizá-la num estilo de vida tribal gnóstico.
Ambientalismo radical quer mudar a natureza humana,
para escravizá-la num estilo de vida tribal gnóstico.
Se todos no mundo ocidental trocassem suas lâmpadas atuais por um modelo mais econômico, ao final de um ano as emissões se reduziriam apenas o equivalente à quantidade de CO2 que a China joga na atmosfera em um dia.

Resumindo: organizações verdes querem mudar a natureza humana, dizendo que não se deve querer ter ou gastar mais. É muito difícil mudar a natureza humana. Prefiro mudar a tecnologia. Assim,poderemos fazer o que quisermos, mesmo emitindo CO2.

As empresas estão fazendo sua parte?

A maioria das coisas que se veem por aí é marketing. É o chamado banho verde. Estão fazendo economia de energia como sempre fizeram, desde o início do século XIX, de quando datam as estatísticas.

Todas as empresas, em todos os lugares, inclusive nos Estados Unidos e na Europa, vêm reduzindo o desperdício de energia. Mas é óbvio que o que estão economizando são dólares. Não há nada de errado nisso. Só não devemos achar que elas estão salvando o planeta.

Por que o crescimento populacional não é levado em consideração nas discussões sobre clima?

Se fosse possível limitar substancialmente o crescimento da população mundial, provavelmente as emissões não aumentariam tanto. Mas você só consegue alterar essa variável dramaticamente num regime autoritário como o da China, onde o governo determina que os casais só podem ter um filho. Fonte: Blog Verde a nova cor do comunismo.





:: domingo, 6 de novembro de 2016

INCRA, nova fase

INCRA, nova fase

A realidade mudou completamente, abre-se o caminho para a pacificação nacional
Fim da Terrabrás? Precisa punir os invasores e entregar os títulos de propriedade aos assentados para estimular aqueles que querem produzir.

Denis Lerrer Rosenfield

O noticiário político está tão voltado para questões urgentes - como a aprovação da PEC 241, do teto do gastos públicos, e a reforma da Previdência - que iniciativas importantes terminam por ser relegadas a segundo plano. Nesse caso se encontram mudanças importantes no Plano Nacional de Reforma Agrária que estão sendo implementadas, mostrando outra face do governo Temer. A reforma fiscal tem, aqui, uma contraparte essencialmente social.

O presidente tem dado orientações explícitas a esse aspecto social de sua atuação, enfatizando todo um novo processo de aprimoramento dos instrumentos de obtenção de terras, de titulação dos assentamentos, de novo processo de seleção dos beneficiários e de regularização de terras cultivadas, sem a anuência do INCRA. No dizer do presidente desse órgão estatal, Leonardo Góes, 'o governo federal busca dar maior segurança jurídica àqueles que têm terra e produzem, além de promover o acesso à terra a quem quer produzir alimentos'.

Em pouco tempo será publicada uma medida provisória (MP) voltada para o equacionamento dessas questões. Ela se caracteriza por seu perfil eminentemente técnico, avesso a problemas de ordem ideológica. Só esse ponto já seria suficiente para definir a nova gestão do INCRA.

Em vários momentos das administrações anteriores, com a ressalva da gestão Guedes, esse importante órgão deixou de ser propriamente um órgão de Estado para se tornar um instrumento dos movimentos sociais. Agora a orientação técnica é predominante com um sentido de Estado.

A questão da titulação é, certamente, uma das mais importantes em pauta. Uma particularidade dos assentamentos da reforma agrária, até aqui, consistia no fato de serem tutelados pelos movimentos sociais, que ali fincaram um dos pilares de sua militância e de recrutamento de membros para invasões.

Um assentado é, assim, não só tutelado pelo Estado, mas, principalmente, pelo MST. Não são produtores autônomos, mas objeto de uma política assistencialista, voltada para a criação de uma clientela política.Também não são propriamente agricultores familiares, por não deterem a propriedade de suas terras.

Com a titulação abre-se a possibilidade de se tornarem verdadeiramente agricultores familiares, com melhores condições de obtenção de crédito, de compra de maquinário e de assistência técnica. Um agricultor familiar entra numa relação de mercado, tem melhores condições de trabalho e de educação para seus filhos, vislumbrando-se um futuro melhor.

Contraste-se, por exemplo, a condição dos agricultores familiares no sistema integrado de produção no Sul do País, envolvendo as cadeias produtivas do tabaco (pioneira), de aves e de suínos e se estendendo a outros setores produtivos, com dos assentados. Uns são prósperos, outros vivem em favelas rurais.

Muitos assentamentos têm agricultores produtivos, que almejam tornar-se familiares, mas se veem impedidos por não poderem adquirir terras de seus vizinhos que não produzem e vivem da assistência estatal. Pelos critérios atuais, ao cultivarem as terras desses seus vizinhos, que podem tê-las cedido mediante um contrato informal de arrendamento ou de compra e venda, eles se encontram em situação irregular. Aliás, ambos estão, por não serem proprietários de suas respectivas terras. São tutelados, não têm liberdade de escolha.

Pela nova MP, porém, poderão regularizar sua situação, aumentando a produção de alimentos, e a terra pode ser cultivada por quem quer realmente produzir. É urgente este novo reordenamento fundiário, corrigindo aquelas anomalias, ainda defendidas por movimentos sociais ideologicamente obtusos.

A nova seleção de beneficiários almeja ser técnica e transparente, deixando de ser um instrumento do MST, que tinha a função de escolher os beneficiários, aumentando assim a sua militância. Várias denúncias,aliás, têm aparecido envolvendo pessoas que já são proprietárias, funcionários públicos, militantes, etc.

Incra. Chegou a impedir novos assentamentos para que essas anomalias fossem devidamente corrigidas. O descalabro era enorme, produzido, principalmente, pelo viés ideológico e político-partidário que presidia o processo seletivo. Haverá, agora, um papel mais importante das prefeituras e, sobretudo, maior divulgação de todo esse processo.

Outro ponto diz respeito à obtenção de terras para a regularização fundiária, por exemplo, na Amazônia Legal, ou para os assentamentos da reforma agrária. Há a necessidade de acelerar os trâmites administrativos, para tudo se resolver o mais rapidamente possível.

Imagine-se a situação de um proprietário que tem a sua terra invadida enquanto decisões judiciais de reintegração de posse não são cumpridas. O Pará é um Estado que vive enorme crise, numa situação que poderíamos designar como terra sem lei.

Um tal mecanismo de obtenção de terras, a preços vigentes e com pagamento em dinheiro - e não necessariamente mediante Títulos da Dívida Agrária -, seria um instrumento que poderia facilitar o equacionamento de tais conflitos, além, evidentemente, de maior respeito à lei, não seguida em vários Estados do País. Seriam compras nas condições de uma economia de mercado.

O campo brasileiro foi, nos governos petistas, um terreno privilegiado de conflitos, como se tivéssemos aqui uma 'luta de classes' que terminaria com a vitória 'revolucionária' dos ditos 'movimentos sociais'. O setor rural, a despeito dos ideólogos esquerdistas, foi, porém, objeto de uma verdadeira reforma, que tornou o Brasil um dos maiores produtores mundiais de alimentos.

A realidade mudou completamente nas últimas décadas. Cabe, agora, uma nova legislação e uma nova política que reflitam e deem conta desta nova situação. O caminho abre-se à pacificação nacional.

Fonte - O Estado de S.Paulo


 

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:: quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Trapaça ambientalista


Como podem mídia, chefes de Estado e religião enganar tanto sobre questões ambientais?

Posted: 31 Oct 2016 04:53 PM PDT

Para fazer rir: Obama e Xi Jinping presidem os países que mais produzem CO2. Mas a enganação é apresentar esse gás incolor como fumaça!
Para fazer rir: Obama e Xi Jinping presidem os países que mais produzem CO2.
Mas a enganação é apresentar esse gás incolor como fumaça!
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Nicolas Loris, um economista especializado em questões energéticas e ambientais da The Heritage Foundation, levantou uma questão que soa engraçada.

A grande mídia está sempre ecoando boatos, trabalhos pseudocientíficos ou científicos enviesados sobre o aquecimento global. Até aqui, nada de novo.

Porém, esses supostamente bem informados ou até eruditos órgãos, na hora de informar sobre o demonizado CO2, ilustram suas matérias com torres de fábricas soltando colunas de fumaça ou centrais nucleares emitindo vapor de água.

Mas o CO2 é um gás incolor! Será que esses zelotes do meio ambiente não têm notícia desse dado elementar?

O CO2, além de incolor, é inodoro e não tóxico. Os homens saudáveis exalam CO2 quando respiram e não sai fumaça. Acresce que o CO2 é o alimento indispensável para o crescimento dinâmico das plantas.

Quando o presidente Obama assinou juntamente com a China o acordo obtido na COP21 de Paris, o jornal oficial chinês “The South China Morning Post” foi o primeiro a transmitir a informação.

E ilustrou a matéria com imagens de fábricas emitindo repelentes e assustadoras colunas de fumaça preta. No pé da foto, a reputada agência Reuters explicava: “Colunas de fumaça saem das chaminés de uma fábrica química em Hefei, na província de Anhui”.

Toda a matéria do artigo era sobre a redução das emissões de CO2 que estariam esquentando o planeta por culpa da civilização humana!

Com esta foto, site ambientalista sublinha a importância de reduzir logo as emissões de CO2.
A foto impressiona mas não tem nada a ver com o tema. E trapaça jornalística.
O que aconteceu com esses sábios do ambientalismo? Não lhes ocorre encontrar ilustrações que não patenteiem perfeita ignorância sobre o que é o CO2? Seria mais responsável e de causar menos vergonha!

É claro que os leitores comuns tampouco sabem da ausência total de cor do CO2. Os ambientalistas desejosos de impor suas leis ao mundo podem, assim, enganá-los à vontade.

Mas isso é idoneidade científica? Deontologia jornalística? Ilustração séria?

A mentirada já foi impressa em massa, no papel ou em bytes, em jornais e revistas de papel ou em páginas virtuais, e aos bilhões de exemplares.

Para maior injúria à razão, o próprio “The South China Morning Post” ilustrava o problema das mudanças climáticas com fotos de cidadãos chineses pedalando em meio de nuvens, essas sim tóxicas, de poluição em Pequim.

Jornais desde a Austrália até o Brasil reproduzem cenas análogas com idênticos dizeres. Nada a ver com nada. A poluição chinesa não é fruto do CO2 e ninguém lhe diz para mudar o clima. Nem os mais descabelados ambientalistas!

Como pode essa mentira deslavada encher as páginas da mídia? Não haverá um cientista pela “mudança climática” que avise aos jornalistas seus amigos sobre o absurdo em que incorrem em larga escala? Ou não há?

Nada!

É como se esses famosos cientistas ambientalistas, ganhadores de Prêmios Nobel e comendas nacionais, além de substanciosos prêmios econômicos e até cadeiras de ministérios, não soubessem o elementar.

E o que dizer dos jornalistas que caíram nessa? Rir? Chorar? Rasgar as vestes? Faltam palavras...

Personalidades como o presidente dos EUA, Barack Obama, enchem a boca com expressões como “mudança climática”. Mas não sabem que o clima está sempre mudando e que a expressão é uma mera redundância etimológica que não diz nada?

Num site ambientalista esta foto 'prova' o mal que faz o CO2.
Em outro serve para 'provar' o aquecimento climático.
Num outro, os perigos do câncer.
Serve para 'provar' tudo menos que seja maléfico o CO2 inodoro, incolor e benéfico !
Trombetear a “mudança climática” como sendo uma realidade é o mesmo que alertar contra a “luz iluminante”, a “água molhante”, o “frio esfriante”, e assim infinitamente, pronunciando muitas palavras e não dizendo nada.

Os problemas da China, com seu ar e água poluídos, são verdadeiramente sérios. Obama poderia ter falado disso quando esteve nesse país para assinar o acordo de Paris, mas sua preocupação foi com o inexistente!

Não havia um assessor, dos muitos que por ofício tem o presidente americano, que lhe sugerisse não falar coisas em sentido, nem que lhe soprasse alguma outra fórmula, ainda que meramente verbal?

Mas a mídia mundial levou muito a sério os sem-sentidos, os vácuos verbais, as ausências de pensamento, o desconhecimento da ciência, a falta de percepção da natureza, patenteados por Obama na hora de assinar o Tratado de Paris. Aliás, é a de tantos outros “responsáveis pelo planeta”.

O presidente Xi Jinping disse outras tantas, mas já avisou que não vai cumprir qualquer coisa que disser ou assinar a respeito. E ninguém vai lhe cobrar os incumprimentos.

Entretanto, há verdadeiros problemas ambientais. Basta ver as fotos de rapazes estudando com lanternas na Índia, por não terem acesso à eletricidade. Ou as da Coreia do Norte sumida na escuridão por falta de energia. Ou ainda as obsoletas fábricas da era soviética envenenando o ar, os assentados na miséria em terras de reforma agrária em Cuba, ou até mesmo no Brasil, em via de degradação.

Mas, para a mídia e os oráculos da sabedoria ambientalista, nada disso importa. Nem sequer existe. Só há uma realidade (aliás, um dogma); só há uma Inquisição santa: é a verde anarquista.

Não adianta serem pegos em flagrante, pois continuam a enganar desinibidamente a humanidade. E tanto mais agora, quando dispõem de uma encíclica igualmente libertada da verdade científica e do respeito objetivo da natureza: a “Laudato Si’”! Fonte: Blog Verde a nova cor do comunismo.





:: terça-feira, 1 de novembro de 2016

Sarney Filho abre o Governo para ONGs e pretende frear expansão da soja

Sem Medo da Verdade 
Boletim Eletrônico de Atualidades - N° 304 - 31/10/2016 
www.paznocampo.org.br
Caso não esteja visualizando o texto deste boletim, acesse através do endereço 
http://www.paznocampo.org.br/boletim
Sarney Filho abre o Governo para ONGs e pretende frear expansão da soja



As organizações NÃO governamentais, ou ONGs, estão de volta ao Governo. A porta lhes foi aberta pelo atual Ministro do ½ Ambiente, José Sarney Filho, ou Sarneyzinho. Depois de expulsar a economia convencional da Amazônia sem deixar nada no lugar, o movimento ambientalista radical agora quer expulsar a economia convencional do restante do país e provavelmente só deixará musgo sobre pedra.

O movimento ambientalista radical agora se volta para o Cerrado brasileiro e usará como arma seu braço dentro do Governo Temer: Sarneyzinho. 'A moratória da soja precisa ser estendida ao Cerrado', disse ele no evento de comemoração da dez do pacto firmado pela industria da soja e o Greenpeace na Amazônia. 'E, para isso, iremos publicar a partir de março dados em tempo real sobre o desmatamento do bioma', completou Sarneyzinho causand o uma saia justa na plateia onde estavam representantes de tradings como Bunge, JBS e ADM, ambientalistas e empresas como Mc Donald's e Carrefour.

A moratória da soja na Amazônia completou dez anos em vigor forçando produtores de soja na região a expandir a produção sobre áreas de pastagens. Dessa forma, o pecuarista ficou com a culpa e o agricultor ficou com o mercado. Agora, as ONGs pretendem forçar a tolerância zero para a abertura de novas áreas no Cerrado, última fronteira agrícola brasileira. Mais que isso: As ONGs pretendem aproveitar o movimento e a presença de Sarneyzinho no Governo continuar admoestando a cadeia da carne.

Em nome do congelamento da Amazônia as ONGs e os ambientalistas radicais aceitaram entregar o Cerrado: a Amazônia seria preservada e, em contrapartida, o plantio de soja avançaria no Cerrado onde o boi já estava. Foi mais ou menos esse o acordo tácito feito pelas ONGs. Esse blog sempre alertou que era questão tempo até as ONGs romperem o acordo. Agora que as coisas parecem sob controle na Amazônia e as ONGs estão de volta ao Governo, o movimento ambientalista se volta para o irmão feio da Amazônia, o Cerrado.

Frederico Machado, do WWF, disse ao jornal Valor Econômico que é de extrema importância levar o pacto de desmatamento zero para o Cerrado. 'Esperamos ansiosamente discutir potenciais expansões do pacto para além do bioma amazônico', diz de Keith Kenny, vicepresidente global de sustentabilidade do McDonald's, em nome do European Soy Customer Group, o grupo mais influente de compradores de soja da Europa. Kenny enviou cartas pressionando a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Foi fácil para a indústria da soja e da carme abandonar a pecuária diante dos ambientalistas radicais há dez anos ao assinarem a tal moratória da soja na Amazônia. Eles estavam de olho no Cerrado. Vejamos como o agro e o neg ócio vão de portar desta vez. Será que juntos, como agronegócio? Ou será que o negócio vai deixar o agro isolado novamente.

O diretor de sustentabilidade do JBS, Márcio Nappo, anda dando pistas. Nappo disse no evento que é preciso 'esticar a regra'. Ou seja, todos os frigoríficos devem operar com a mesma política de preservação. O JBS foi um dos primeiros a sentar no colo do Greenpeace.

Com informações do Valor Econômico e foto de Elza Fiuza/Agência Brasil
  






:: sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Brasil preserva mais de 50% de vegetação nativa

Brasil preserva mais de 50% de vegetação nativa

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Em entrevista à TV Gessulli, Evaristo de Miranda, chefe geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, enfatizou que no Brasil preserva até 61% de vegetação nativa. A análise foi feita através das pesquisas desenvolvidas pela empresa brasileira e é vislumbrada a partir da expectativa do resultado final do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

No Brasil existe uma atribuição das terras e, frequentemente, corresponde ao uso. Hoje, de acordo com Miranda, 17% território nacional é atribuído para conservação ambiental;  13% para terras indígenas. “Essas duas juntas somam 30% do Brasil. Temos depois, aproximadamente, 20% do território de vegetação nativa, mas em locais muito isolados”, conta. “Então, metade do país hoje é de vegetação preservada. Além disso, os agricultores em suas propriedades preservam, isso representa 11% território nacional.”

O pesquisador enfatiza que, provavelmente esse número será até mais, “porque o registro do CAR mostra que, talvez chegue entre 14% até 17%. Se chegar a isso vai significar que os agricultores preservam mais florestas que todas as unidades de preservação juntas, olha o papel que tem a agricultura na preservação. Um país que preserva até 61% do seu território e utiliza para a produção de grãos, energia , floresta plantada 8% apenas da sua superfície”, destaca.

Miranda enfatiza que é calunioso dizer que o Brasil não preserva. “Fiz um estudo dos 12 maiores países do mundo, eles preservam em media 8 a 9% do território e o Brasil 30%. Criticar o Brasil por isso é um erro”, aponta.

Assista a entrevista na íntegra:

Redação Avicultura Industrial
http://www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/brasil-preserva-mais-de-50-de-vegetacao-nativa/20160707-170605-P643





:: quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Nova CPI da FUNAI e do INCRA

Nova CPI da FUNAI e do INCRA: os tumores precisam ser lancetados

 

Péricles Capanema

 

Repito, já disse em outras ocasiões, no Brasil nutrimos tumores de estimação; para piorar, tantas vezes com temor reverencial. Enquanto não tivermos deles o horror que uma pessoa saudável experimenta de abscesso no próprio intestino, o país permanecerá infectado.

 

Agora busco distante uma ilustração aterradora, em Uganda, centro da África, quase 250 mil quilômetros quadrados, perto de 40 milhões de habitantes, mais de 40% católicos. Agnes Igoye hoje é uma ugandense ativista, 44 anos. Sua vida começou horripilante, agredida por atavismos bárbaros. O pai, chefe de uma tribo da etnia Teso, na garupa de bicicleta levou a mãe através da selva, leões rondando a trilha, até um hospital, onde a menina nasceu no dia seguinte. Pelos costumes da etnia, não se comemora nascimento de menina. Mulheres que não concebem meninos podem ser devolvidas às famílias e o dote dado por elas cobrado por maridos insatisfeitos. Situações dantescas de tumores de estimação.

 

Na família, Agnes Igoye foi, em fileira, a terceira menina. A tribo queria um garoto para herdar a chefia do pai. Este, contudo, formação católica, outra mentalidade, não se importava, gostava muito das filhas. Teve ainda dois meninos. “Meu pai era o filho mais velho do chefe da tribo e herdou as terras e a liderança do meu avô. Como foi educado na escola da missão católica, tinha uma visão diferente da dos demais. Era contra algumas tradições como, por exemplo, a poligamia. Rompeu com os costumes, educou os filhos de forma ocidental. Todos fizemos faculdade. Meu pai também se recusou a receber dinheiro ou bens em troca de suas filhas para casá-las”.

 

Agnes Igoye fala sobre sua experiência: “As lembranças mais duras de minha vida estão relacionadas ao Exército de Resistência do Senhor (ERS). [O Exército de Resistência do Senhor chegou a ter 60 mil crianças em sua frente de batalha]. Eram guerrilheiros cruéis. Eu era adolescente, tinha 13 ou 14 anos quando o ERS atacou minha vila. Meu pai não queria abandonar os Tesos naquela situação. Mudou de ideia quando soube que estavam sequestrando as meninas. Fomos morar em um convento, também em Pallisa, que servia de abrigo para refugiados. Recomeçamos a vida do zero”.

 

Em Uganda continua a existir o dantesco tráfico de meninas. Agnes Igoye hoje treina funcionários para identificar traficantes de pessoas, capacitou cerca de dois mil. Pelo jeitão, ela já desconfia. Relata o trabalho: “Quando terminei a escola, fui estudar ciências sociais. Comecei a trabalhar como agente na Imigração. Uma vez um homem estava tentando atravessar a fronteira. Decidi detê-lo, foi intuitivo. Ele era membro do ERS, procurado por matar mulheres e crianças”. No outro dia, descobriu mulheres que seguiam o chefe do ERS. Pediu para serem tratadas como vítimas: “Quando meus superiores me perguntaram como os identificava, falei sobre gestos, atitudes e maneirismos. Respondi-lhes que poderia treinar outros para fazer o mesmo. Fui então nomeada gerente de treinamentos. A partir daí, passei a treinar policiais para detectar suspeitos”.

 

Agnes aponta o objetivo do trabalho: “Na África, há todo tipo de tráfico de pessoas. Os criminosos atraem as vítimas com promessas de emprego. Pagam a viagem delas e depois cobram a quantia, dizendo que vão descontá-la do salário. Dizem, então, que as vítimas não estão rendendo. Há ainda o tráfico de órgãos, de crianças para adoção, para sacrifícios religiosos, e de meninas e meninos para servirem aos guerrilheiros. Trabalhamos em uma campanha pelo fim do tráfico infantil em Uganda. A ideia é informar a população. Como muitas comunidades não têm rádio nem televisão, levamos vítimas resgatadas nas escolas, para contarem o que houve aos alunos. São relatos de trabalho e casamento infantil (legais no país), crianças usadas como soldados nos conflitos. O método funciona. Em 2013, resgatamos por volta de 800 pessoas, o dobro do ano anterior”.

 

Por que a África acolhe tal abominação, que faz jorrar na memória o plangor de Castro Alves? “Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade. Tanto horror perante os céus?!” A razão, simples e trágica, está na tumoração social, são costumes selvagens vistos com apatia onde dominam e deveras no mundo todo. Houvesse horror lá e alhures, nada disso aconteceria. Recordo, tais crimes persistem em parte como chaga social, em boa parte por decorrência de descolonização imprudente e utópica, capitaneada pelas esquerdas de vários matizes.

 

Terminou a ilustração, agora o Brasil, exponho escândalo tumorigênico de décadas, na raiz causas aparentadas com as africanas, enraizados e péssimos atavismos. A Câmara dos Deputados vai instalar, segunda vez, a Comissão Parlamentar de Inquérito da FUNAI e do INCRA. A primeira, boicotada, teve fim melancólico em agosto último, sem relatório final. A CPI foi criada em outubro de 2015 para investigar supostas irregularidades na demarcação de terras indígenas e quilombolas, além dos conflitos agrários e a relação das entidades do governo federal com ONGs. A lista não deixa dúvidas, estamos diante de focos de agitação, roubalheira, incompetência e malbarato de recursos públicos. Fatores de empobrecimento, torram montanhas de dinheiro do contribuinte, que poderia ser utilizado para educação, saúde, geração de empregos. O normal seria despertarem horror.

 

Leitor, um teste. Você pode estar em qualquer lugar do Brasil. Procure o assentamento da reforma agrária mais próximo. Qualquer um, novo ou velho, existe esta loucura no Brasil há mais de 30 anos. Tente entrar e dar um passeio sem estar acompanhado por ninguém do MST ou da CPT. Provavelmente, não vai conseguir, são áreas vigiadas. Se conseguir, observe com seus próprios olhos a situação dos assentados, converse com eles, sem ninguém do MST, CPT ou INCRA por perto. Nem de gente indicada por eles. Aí você perceberá a realidade tétrica, ocultada cuidadosamente. Vá lá, faça você mesmo o teste. Terra indígena demarcada? Mesma coisa. Pergunte a quem conhece o que está acontece hoje na Raposa Terra do Sol. São tumores de estimação.

 

E, repetindo os mesmos mantras, defendendo o indefensável, continua a farândula de CNBB, MST, CPT, CIMI, partidos de esquerda, girando em torno da vítima, o Brasil. Que a CPI tenha lucidez e coragem para lancetar o pus. E, por fim, não deixe de aprofundar o que, na primeira vez, declarou o general Guilherme Theóphilo, até há pouco comandante militar da Amazônia: existem clandestinos dez mil hectares plantados de coca na Amazônia, ademais de exploração de muitos minérios valiosíssimos, ilegalmente enviados para o Exterior.






:: segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Aquecimento ou congelamento?

Srs. ambientalistas: afinal, acabaremos requentados ou congelados?

Posted: 16 Oct 2016 12:30 AM PDT

Acima: planeta consumido pelo aquecimento global. Embaixo cartaz coberto pela neve em South Boston, fevereiro 2015
Acima: planeta consumido pelo aquecimento global.
Embaixo cartaz coberto pela neve em South Boston, fevereiro 2015
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O site Newsbusters, dedicado a surpreender as contradições da grande mídia esquerdista, teve a paciência de conferir as manchetes de grandes jornais e revistas da década de 1970 com as atuais - uma distância de quase meio século.

O site focou especialmente o tema do 'aquecimento global'.

O que achou?

Algo de cair de costas.. Se a reação certa é de pasmo ou de riso, ou outra qualquer, fica a critério do leitor. O cômico Bill Maher fez rir largamente seus telespectadores.

Porque a constatação básica é que há meio século a mídia, impressa ou televisiva, sensacionalista ou pretensamente séria, trombeteava que o mundo estava fadado a um congelamento global que aconteceria em nosso século.

Eis algumas manchetes e conteúdos:

St Petersburg Times: poluição causaria Idade de Gelo.
(4 de março de 1970)
Sob a manchete 'Invernos mais frios precedem Nova Era Glacial', o sisudo 'Washington Post' escrevia em 11 de janeiro de 1970 que 'cientistas preveem uma Era Glacial no futuro'. Confira: Washington Post

No dia 15 do mesmo mês, o grande jornal da Califórnia 'Los Angeles Times' não ficava atrás perguntando se 'a humanidade não está fabricando para si uma Nova Era Glacial'. Confira: 'Los Angeles Times'

No dia 4 de março do mesmo ano, o 'St. Petersburg Times' antecipava os atuais catastrofistas, pondo atribuindo aos homens a causa de mudanças climáticas rumo a um frio devastador: 'Poluição poderia causar Era Glacial relata Agência'. Confira.

O prestigiado 'Boston Globe' de 16 de abril, vinha logo atrás anunciando previsões assustadoras para o nosso século: 'Cientistas predizem nova era de gelo no século XXI'. Confira clicando aqui.

No dia 26 de junho de 1970, o 'St. Petersburg Times' voltava a pôr a culpa do congelamento universal nos homens e em sua civilização: 'A poluição apontada como causa da ameaça da Era de Gelo'. Confira aqui.

No dia 18 de julho, o volumoso 'New York Times' engajava toda a sua influência no blefe daquele momento, oposto ao alarmismo atual sobre o derretimento do Ártico: 'Estudos da imprensa dos EUA e soviética focam um Ártico mais frio'. Confira aqui.

Na Austrália, no dia 19 de outubro de 1970, o 'Sydney Morning Herald' se somava ao coro midiático das calamidades ambientais nunca acontecidas e divulgava um artigo que hoje poderia ser reproduzido como sendo 'a última palavra' em qualquer panfleto ambientalista. Confira.

O site Newsbusters também foca um artigo da revista Newsweek de 28 de abril de 1975 sobre 'O mundo esfriando'..

Para sustentar a enganadora hipótese, a revista cita o 'quase unânime' consenso entre os meteorologistas segundo o qual o arrefecimento global 'reduzirá a produtividade agrícola pelo resto do século'.

Essa produtividade acabou aumentando de modo exponencial, mas isso não interessa ao alarmismo ecologista, que não liga para a natureza nem para a verdade.

Newsweek: o mundo esfriando (28 de abril de 1975)
'Newsweek' cita em seu favor um relatório da Academia Nacional das Ciências dos EUA que imaginava que 'uma mudança climática de grandes proporções forçaria ajustes econômicos e sociais numa escala universal'. Confira: Newsweek.

Como dissemos acima, Newsbusters reproduz um programa do cômico Bill Maher, que suscita a hilaridade dos telespectadores comentando os blefes.

Reproduz também um vídeo de noticiário da CBS, apresentado por Walter Cronkite em setembro de 1972.

Nele o famoso jornalista insiste na hipótese-realejo dos precursores daqueles que hoje aterrorizam os homens com quase idênticos argumentos, mas com sinal aquecimentista.

Compreendemos o riso do humorista, mas não é a nossa atitude diante do ridículo pego in flagrante delicto.

Estamos constatando e divulgando em nosso blog o que temos encontrado por trás desses pânicos midiáticos: a metamorfose do comunismo encalacrado que acabou desabando com a URSS.

Astuciosamente, os militantes da esquerda vermelha passaram a explorar argumentos supostamente baseados em ciências que cuidam do meio ambiente.

A manipulação visa derrubar a civilização ocidental e cristã e apressar a utopia do caos anárquico e tribal sonhado pelos utopistas pré e pós-marxistas, e até pelo próprio Marx.

Nessa metamorfose, eles vêm sendo poderosamente auxiliados pela Teologia da Libertação e pelos órgãos eclesiásticos que essa teologia infiltrou, como a CNBB, CIMI, MST, para só citar esses e poupar nossos leitores de uma extensa lista.


Bill Maher: O 'esfriamento global' não foi só uma gafe de Newsweek:

Assim Walter Cronkite alertava para a 'Nova Era Glacial' que estava vindo:
Fonte: Blog Verde nova cor do comunismo




:: sábado, 15 de outubro de 2016

A destruição do último reduto petista

A destruição do último reduto petista

O PT não se contentou em quebrar a Petrobras e a Eletrobras durante os governos Lula e Dilma. Esfacelou também a Embrapa, referência em pesquisas agropecuárias. E, pior: o partido continua administrando a estatal

A destruição do último reduto petista

DEMANTELAMENTO: A empresa, uma ilha de excelência técnica, está sendo dilapidada pelo PT

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) sempre foi considerada uma ilha de excelência técnica. Depois de mais de 13 anos sob administrações petistas, transformou-se em mais uma estatal que o PT teve a proeza de desmantelar. E essa não é a única má notícia para os que zelam pela aplicação correta dos recursos públicos. A ascensão de Michel Temer à Presidência não impediu que os petistas permanecessem até hoje no comando dos postos-chave da estatal. Ou seja, o horizonte é ainda mais nebuloso. Documentos obtidos por ISTOÉ retratam um cenário caótico. Desde dívidas tributárias milionárias, devido a uma péssima administração, a denúncias graves por desvios de recursos. A unidade da Embrapa em Brasília, por exemplo, até hoje paga parcelas de uma multa milionária por descumprir a legislação tributária. Uma auditoria interna do órgão também apontou que o dinheiro obtido com a venda das safras de milho cultivadas anualmente simplesmente tem desaparecido. O desfalque pode chegar a quase R$ 6 milhões.

O aparelhamento do PT na Embrapa começou no governo Lula, foi ainda mais acentuado com Dilma Rousseff e resiste até hoje, mesmo com a gestão do novo ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP). O presidente da estatal Maurício Antônio Lopes foi nomeado a pedido da própria Dilma. Já sua subordinada Vânia Beatriz Castiglioni, diretora de Administração e Finanças, não esconde de nenhum funcionário que é filiada ao PT e afilhada política da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Vânia é personagem principal em uma dessas irregularidades na gestão da Embrapa. Uma de suas decisões grosseiras custou aos cofres da empresa pública R$ 20 milhões referentes à multa por não recolhimento de tributos à Receita Federal. A dívida, originalmente, foi estipulada em R$ 40 milhões, mas a assessoria jurídica da Embrapa conseguiu reduzir para R$ 23 milhões. O montante foi parcelado em 60 vezes e, até agora, foram pagas cerca de 20 parcelas. Porém, por desleixo com os recursos públicos, as parcelas são sempre pagas com atraso e, por isso, corrigidos com juros altíssimos. Conforme está descrito no Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) de 22 de agosto de 2016 a dívida principal era de R$ 399 mil. Mas, devido ao atraso, passou para R$ 873 mil, mais que o dobro. Procurada para explicar o motivo da multa, a Receita Federal explicou que “devido ao sigilo fiscal, não comentaria o caso de contribuintes específicos”.

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A negligência petista
A Embrapa devia R$ 23 milhões em tributos à Receita que deveriam ser pagos em parcelas de R$ 399 mil, mas devido ao desleixo da diretora petista do órgão, que pagava com atraso, a prestação subiu para R$ 873 mil. Em sindicâncias internas, verificou-se também o desaparecimento de dinheiro arrecadado com a venda de alimentos produzidos nos campos experimentais

BARBEIRAGEM: Vânia Beatriz Castiglioni, diretora de Administração e Finanças da Embrapa, é afilhada da senadora Gleisi Hoffmann. Suas decisões equivocadas geraram um prejuízo de R$ 20 milhões à estatal

BARBEIRAGEM: Vânia Beatriz Castiglioni, diretora de Administração e Finanças da Embrapa, é afilhada da senadora Gleisi Hoffmann. Suas decisões equivocadas geraram um prejuízo de R$ 20 milhões à estatal

Móveis na fogueira

Em um episódio anterior, Vânia chegou a ser investigada pela Controladoria-Geral da União por supostas irregularidades na criação da Embrapa Internacional, nos Estados Unidos, que acabou interrompida pelo Ministério da Agricultura. A iniciativa foi feita sem ser submetida ao conselho de administração da estatal. No relatório, a CGU lança suspeita sobre uma empresa que financiou o projeto, a Odebrecht na Venezuela, que bancava as ações da Embrapa no país vizinho. O negócio teve apoio dos ex-presidentes Lula e Hugo Chávez. A CGU apontou a iniciativa como irregular.

Mesmo quando não aparece sua digital nas irregularidades, Vânia acaba pagando por omissão. Um parecer da assessoria jurídica da Embrapa obtido por ISTOÉ culpou a diretora por não acompanhar a sindicância que detectou desvio de recursos da venda de safras de milho cultivada em 70 hectares da Embrapa Hortaliças, situada na cidade do Gama. Além de desaparecer com o dinheiro, o chefe-geral da unidade, Jairo Vidal Vieira, este ligado ao grupo do ex-ministro Gilberto Carvalho, ex-chefe de gabinete de Lula, também não revelava o montante arrecadado por ano com a venda do alimento. Servidores do setor contaram que cada hectare produz 150 sacas. Cada uma é vendida a R$ 50. Sob essa conta, o total vendido por ano seria de R$ 525 mil. A prática delituosa ocorre desde 2006, quando Lula era presidente.

Como se não bastassem esses prejuízos, a administração do departamento de hortaliças da Embrapa ainda queimou em uma fogueira, durante três dias, peças do mobiliário antigo que iria para leilão, como mesas, cadeiras e bancadas de laboratórios. A ordem era limpar o galpão para receber a ilustre visita da senadora Kátia Abreu,à época ministra da Agricultura. A PF investiga o caso – mais um exemplar, entre tantos, da delituosa gestão petista.

Foto: Orlando Brito





:: domingo, 9 de outubro de 2016

Essa misteriosa Reforma Agrária brasileira

               Essa misteriosa Reforma Agrária brasileira

                                                                                                                                         
                                                                                       Percival Puggina. Artigo publicado em

 

 Há cerca de 20 anos, visitei diversos assentamentos do Incra no sul do Rio Grande do Sul. Alguns tinham barreira no acesso. Ninguém podia entrar sem autorização e a autorização era negada a curiosos. Eu era exatamente isso. Os que visitei estavam praticamente inativos, sem aproveitamento. Quase não se percebia sinal de vida. Em um deles, porém, encontrei animais de pasto e vasta extensão cultivada, prenunciando generosa safra. Pertencia a uma família de vários irmãos, procedentes da região noroeste do Estado, que trabalhavam seus lotes em conjunto. Fui conversar com eles e perguntei o motivo do contraste em relação aos demais assentados. A resposta foi surpreendente - eles plantavam. No entanto, fariam a colheita e iriam embora porque a vizinhança era perigosa. À menor desatenção, eram roubados.

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 Os órgãos destinados à Reforma Agrária no Brasil operam com a terceira geração de servidores. As duas anteriores se dedicaram a fazer a reforma agrária e hoje se beneficiam da aposentadoria. Uma terceira vai tocando o trabalho, olhos no desenvolvimento de suas vidas funcionais. Nada haveria de extraordinário nisso. É o que acontece em todo o órgão público longevo e os órgãos públicos costumam ser longevos. Depois que o Estado abre uma porta ou um guichê, dificilmente essa abertura se fecha. O que torna incomparável a atuação dos órgãos de reforma agrária, hoje convergentes no Incra, é a constrangedora falta de dados sobre aquilo que é objeto de seu oneroso trabalho, oficialmente iniciado há 54 anos com a criação da Superintendência de Reforma Agrária.

Nesse 'já longo andar', nosso país optou por ir na contramão da tendência mundial, que é de concentração das propriedades rurais para torná-las mais produtivas e eficientes, com ganhos de competitividade e rentabilidade. Essa tendência, natural e inevitável, reduziu a menos de 5% a população rural dos países desenvolvidos, inclusive nas potências agrícolas com as quais o Brasil compete. Resultado? Maior renda per capita no campo, aproximando-a da renda média do meio urbano.

Para atender a esse projeto de desenvolvimento com farol voltado para o século XIX, o Brasil dedicou à Reforma Agrária uma formidável extensão de terras. 'Quantos milhões de hectares?' perguntará o leitor. Pois é, meu caro. Ninguém sabe! Pelo que encontrei enquanto tentava descobrir, trata-se de algo entre 40 e 80 milhões de hectares. Por outro lado, ninguém - ninguém mesmo! - sabe o que acontece nos assentamentos. As perguntas mais naturais da sociedade, que paga a conta da 'reforma agrária' e os salários dos servidores ativos e inativos do Incra, não têm resposta. O que produzem essas dezenas de milhões de hectares destinados a resolver o problema social do campo pelo tão ambicionado projeto do MST e seus assentamentos? Os técnicos sequer arriscam palpite. Provavelmente se trata de insignificante fração do que poderia ser produzido se adequadamente aproveitado. Não é por acaso que o Incra aparece, mesmo nos levantamentos do próprio governo, como um dos principais responsáveis pelo desmatamento em certas regiões do país.

Até agora, o que de mais robusto se produziu com essa política foi o MST, com aquele extraordinário suporte que as organizações internacionais a serviço do comunismo dedicam aos que abraçam estratégias e pedagogias revolucionárias. Venderam caro - e, mesmo assim, parcela significativa da sociedade comprou - a ideia de que todo brasileiro nasce titular de um direito natural a receber dos demais um lote de terra para dela fazer o que bem entender, inclusive nada.

Ah, se fosse produtivo o que já se destinou para reforma agrária! Ah se não houvesse o MST, pedagogicamente, ensinado violência, desrespeito à lei e uma ideologia de primatas! Ah, se tivesse sido aplicado em educação junto aos excedentes do meio rural tudo que foi gasto para promover algo cujo resultado não se vê nem se conhece! O Brasil estaria num outro estágio de desenvolvimento socioeconômico, regido com maior racionalidade e paz.

 

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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.





:: sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Grito longe dos Excluídos

O que berra o “Grito dos Excluídos”

Revista Catolicismo, Nº 790, Outubro/2016

 

Grito dos Excluídos

Cid Alencastro

Patrocinado pelas pastorais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), coadjuvadas por movimentos de invasão de terras e de casas, eufemisticamente denominados “movimentos sociais”, realizou-se no dia 7 de setembro último o denominado “Grito dos Excluídos”.(*)

A data em que se comemora a independência nacional é escolhida a dedo para indicar que o povo ainda não seria independente, pois estaria preso nas engrenagens malsãs do capitalismo. Só um socialismo — soviético, chinês, cubano, vietnamita, ou outro, pouco importa — traria a redenção popular, com tintas de ecologismo. Tese perfeitamente comunista, diga-se de passagem, mas que neste ano se mostrou claramente nos fatos ligados ao “Grito”.

Acontece que o povo brasileiro, suficientemente inteligente e perspicaz para não entrar em canoa furada, não tem feito eco a esse “grito”. A não ser, evidentemente, os agitadores de sempre, que conseguem ainda arrebanhar um punhado de inocentes-úteis ou incautos. Com isso, depois de duas décadas de insistência, o “Grito” não tem obtido melhor sorte que os chamados Fóruns Sociais, em seu afã de lançar o Brasil numa revolução de cunho igualitário-socialista.

De fato, segundo Ari Alberti, da coordenação do “Grito dos Excluídos”, o evento existe há 22 anos e nasceu com a ideia de que “é preciso construir um projeto popular de sociedade. Passados esses 22 anos a gente percebe que as mudanças estruturais não aconteceram”, afirma ele melancolicamente.

Grito dos Excluídos

Convido o leitor a prestar atenção no folheto de propaganda do “Grito”, na Arquidiocese de São Paulo [foto]. A cena é dominada por uma mulher histérica que abre uma bocarra num ricto de angústia e desespero. Junto a ela, uma espécie de demônio esboça um sorriso sarcástico enquanto segura um maço de notas, ao que parece de dólares. Sua boca demoníaca expele uma chama que se espraia pelo ambiente e serve de leito para corpos insepultos. A cena é infernal e repugna a toda alma que conserve algo de ordenação e pureza. Completam o folheto frases contra o capitalismo, bem como a exaltação do socialismo, além da designação dos autores: as Pastorais sociais e outros coadjuvantes.

O Santuário de Aparecida costuma ser escolhido como um dos focos do “Grito”. Em 7 de setembro, uma publicação anunciava: “Aparecida deve receber 100 mil romeiros para o Grito dos Excluídos, hoje”. Entretanto, depois do evento, a notícia era: “Cer­ca de 2 mil ro­mei­ros, se­gun­do o San­tuá­rio de Apa­re­ci­da, par­ti­ci­pa­ram do ato”. Parece que ao encontro marcado faltaram nada menos que 98 mil!

Mesmo esses 2 mil, como é evidente, são em grandíssima parte romeiros que aproveitaram o feriado para prestar suas homenagens à Padroeira do Brasil, e não para participar de qualquer movimento de agitação. Lá chegando, toparam com os tais “excluídos”. Não só com eles, mas também com o bispo emérito de Blumenau (SC), dom Angélico Sândalo Bernardino, que conduziu “a reflexão sobre o tema do Grito, ‘Este sistema é insuportável: exclui, degrada, mata’. Tema inspirado em frase do Papa Francisco, dito durante o Encontro Mundial dos Movimentos Populares, em julho de 2015, na Bolívia”.

Desta vez o “Grito dos Excluídos” levou às ruas um tema mais diretamente ligado à política e focou suas manifestações contra o novo governo de Michel Temer. Ou seja, inconformidade notória com o desprestígio de Dilma, e com ela o de Lula e do PT. Para o coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, o plano de governo Temer vai levar milhões de pessoas à exclusão social. “Por isso estamos hoje pelo ‘Fora Temer’”.

Outro foco de manifestações do “Grito”, além de Aparecida, foi a Catedral da Sé, em São Paulo. Só que “as es­ca­da­ri­as da Ca­te­dral, na Pra­ça da Sé, reu­ni­am me­nos de 100 pes­so­as, às 9h30, ho­ra mar­ca­da pa­ra a con­cen­tra­ção dos par­ti­ci­pan­tes do 22.º Gri­to dos Ex­cluí­dos”.

Um terceiro foco foi a Avenida Paulista, cujo ponto de encontro foi na altura da Praça Osvaldo Cruz. Ali havia número um pouco maior de pessoas, não por causa dos “excluídos”, mas porque nesse local se reuniam promiscuamente todos os adeptos esquerdistas do “Fora Temer”, quais sejam o MST, o PT, o MTST e quejandos. Em busca de popularidade, compareceram também Fernando Haddad, prefeito de São Paulo candidato à reeleição, e o candidato derrotado ao Senado e agora postulante a vereador, Eduardo Suplicy, além de outros políticos petistas. Foi um pouco frustrante para eles, pois a passeata que se seguiu não teve maior impacto.

Grito dos Excluídos

Ao que parece, o fracasso reiterado do “Grito dos Excluídos” em convencer os pobres de que o socialismo resolverá seus problemas, está levando à exasperação os promotores dessas manifestações. Em consequência, a utilização de uma linguagem demagógica e fora da realidade. Por exemplo, Dom Milton Kenan Junior, bispo da Diocese de Barretos (SP) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, da CNBB, desabafou: “Esse sistema [o capitalismo] é insuportável. É um sistema que exclui e gera grande massa de humanos vivendo nas periferias do mundo, sem acesso ao que é fundamental e necessário à vida. E leva uma grande massa a se contentar com as migalhas que caem da mesa. É um sistema que nega à grande maioria das pessoas os acessos às condições básicas”.

Pena que o Bispo Kenan se tenha esquecido de que a maior miséria sempre foi produzida pelos sistemas socialistas, como ocorreu na União Soviética e, na atualidade, em Cuba, Venezuela, Coreia do Norte etc.

Evidentemente ninguém nega que o capitalismo atual tenha defeitos e lacunas a serem corrigidos. Mas enquanto regime que defende a propriedade privada e a livre iniciativa, ele está de acordo com a ordem natural das coisas. Enquanto o socialismo, por seu caráter estatizante e igualitário, é fundamentalmente rejeitável.

Mas isso não interessa aos promotores do “Grito”. E enquanto ficam gritando palavras de ordem de índole socialo-comunista, o autêntico povo brasileiro não lhes dá atenção…

 

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Nota:

(*) Os dados para este artigo foram extraídos das seguintes fontes: “Agência Brasil” (1º-9-16); Revista “Isto é” (7-9-16); “O Estado de S. Paulo (7 e 8-9-16); “O Globo” (8-9-16).





:: quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Lula, um leão rouco

Lula, um leão rouco, 

sem dentes nem garras

A maior vítima da violência do PT será o cidadão, que não terá como melhorar de vida

*José Nêumanne

05 Outubro 2016 | 03h02

O profeta Lula estava particularmente inspirado quando foi votar para prefeito em São Bernardo do Campo, onde mora. “O PT vai surpreender nesta eleição”, previu com precisão instantânea. Pois seu partido surpreendeu mesmo, ao cair de terceiro em número de prefeituras em 2012 para décimo lugar neste pleito. “Quanto mais ódio se estimula, mais amor se cria a favor”, disse, em forma de oração. “Só há um jeito de eles tentarem me parar: evitar que eu ande pelo Brasil”, ameaçou o santo guerreiro contra o dragão da maldade da burguesia infame. O loroteiro está de volta, olê, olê, olá!

Não tardou para as urnas o estarrecerem. Nem precisou sair de casa: Orlando Morando (PSDB) e Alex Manente (PPS) disputam o segundo turno em São Bernardo. O companheiro Tarcísio Secoli, favorito do prefeito Luiz Marinho, seu sucessor no Sindicato dos Metalúrgicos, do qual Lula ascendeu para a glória política, ficou em terceiro, com menos de um quarto dos votos válidos: 22,6%. Em termos proporcionais, superou o poste que ele elegeu em São Paulo em 2012: Fernando Haddad protagonizou o maior vexame da história do partido ao ser massacrado pelo tucano João Doria, que o derrotou no primeiro turno por 53,3% a 16,7%. Em gíria de turfe, Haddad nem pagou placê.

E no dia em que constatou que as eleições “consolidam a democracia no Brasil”, Lula deu uma desculpa esfarrapada para o fiasco histórico: “A imprensa está em guerra com o PT há sete anos”. Para ele, “as pessoas se enganam quando (pensam que) uma TV, um jornal, pode tudo. Não pode. O povo é que pode tudo”. No caso, não lhe falta razão: numa democracia, como reza a Constituição da República, todo o poder emana do povo e para ele é exercido. As urnas não falam, mas o povo fala nelas. E a lorota de Lula tornou-se senha para a violência: mais tarde, constatada a derrota de Haddad, militantes petistas impediram que a repórter Andréia Sadi, da GloboNews, concluísse um boletim ao vivo na sede do PT, no centro de São Paulo.

Um tsunami de votos soterrou o partido que se diz da classe operária, mas passou 13 anos, 4 meses e 12 dias usando o poder federal para atuar como despachante de empreiteiros e amigos empresários emergentes que, em troca de contratos superfaturados, engordaram os cofres dos petistas e do PT em proporções nunca ousadas antes. Até recentemente, ingênuos, como o autor destas linhas, imaginavam que havia apenas uma corrente de escândalos de corrupção – Santo André, mensalão, petrolão, etc. –, conectados e consequentes um do outro. Agora é possível perceber que não é só isso. Trata-se, sim, de um assalto planejado, organizado e realizado para esvaziar todos os cofres públicos ao alcance de suas mãos.

A 53.ª (Arquivo X) e a 54.ª (Ormetà) fases da Operação Lava Jato trouxeram à tona revelações impressionantes sobre a gestão dos desgovernos Lula e Dilma. Nunca antes na História deste país um chefe da Casa Civil respondera por violações do Código Penal. José Dirceu, “capitão” do time de Lula em seu primeiro governo, está preso em Curitiba, acusado de haver delinquido quando cumpria pena na Papuda, em Brasília, condenado por corrupção e outros crimes pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no caso mensalão. Antônio Palocci Filho, primeira eminência parda de Dilma, após ter sobrevivido a 19 processos criminais no mesmo STF e ter violado o sigilo bancário de um pobre trabalhador, o caseiro Francenildo dos Santos Costa, foi recolhido ao xadrez, acusado de ter pago dívidas de campanha da chefe com dinheiro sujo.

Gleisi Hoffmann, ex-chefa da Casa Civil e senadora (PT-PR), é acusada de ter recebido R$ 1 milhão de propina da Petrobrás para comprar votos. Acusação igual é feita ao marido dela, Paulo Bernardo, suspeito de haver furtado R$ 7 milhões em prestações mensais de funcionários do Ministério do Planejamento que requeriam empréstimos consignados.

Guido Mantega, preso e solto pelo juiz Sergio Moro, foi outro ex-ministro do Planejamento a protagonizar processo criminal, em que foi delatado por Eike Batista, “bom burguês” escalado por Lula entre “campeões mundiais” do socialismo de compadrio, de havê-lo achacado no gabinete do Ministério da Fazenda. Palocci também foi ministro da Fazenda de Lula, que se diz o mais “honesto dos seres humanos”. Enquanto Dilma se põe acima de suspeitas por não ter contas bancárias no exterior.

No palanque, a esquerda insistiu que Dilma foi usurpada por Michel Temer, o vice duas vezes eleito com ela, no impeachment, cujo rito legal foi cumprido à exaustão. Em São Paulo, Luiza Erundina, do PSOL, e, no Rio, Jandira Feghali, do PCdoB, pediram votos repetindo essa patranha de consolar devoto. A ex-prefeita teve 3,2% dos votos e a carioca, 3,3%.

Fernando Haddad, contrariando o comportamento belicoso de seus apoiadores, cumprimentou João Doria pela vitória. No entanto, a agressão à repórter de televisão não foi, como devia ter sido, evitada por seu candidato a vice, Gabriel Chalita, nem por seu antigo colega de Ministério de Lula, Alexandre Padilha, que, conforme depoimento do colunista do Globo Jorge Bastos Moreno, se mantiveram impassíveis diante do lamentável fato. Assim, deram o sinal de que a oposição do PT e aliados de esquerda não se limitará à irresponsável tentativa de impedir que sejam feitos os ajustes sem os quais o Brasil não conseguirá recuperar-se da crise provocada pela longa duração do próprio reinado na República.

O governo de Temer, também cúmplice no desmantelamento do Estado brasileiro nas gestões petistas, sofrerá boicote impiedoso. Mas a maior vítima será, como sempre, o cidadão, que amarga desemprego, inflação e quebradeira. E se verá às voltas com vândalos nas ruas queimando carros e quebrando vidraças. O PT não é cachorro morto e seu chefão, Lula, ainda será o leão rouco que ruge mesmo tendo perdido dentes e garras.

*Jornalista, poeta e escritor

Fonte: OESP, 5/10/20106





:: quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Fraqueza e impunidade

TCU libera reforma agrária a pedido do Incra apesar dos indícios de fraude

O Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu na semana passada parte da medida cautelar que paralisou, em abril, o Programa Nacional de Reforma Agrária. À época, o TCU identificou suspeita de irregularidades na concessão de lotes e benefícios a 578 mil assentados do programa. 'Após solicitação do Incra, que apresentou um plano de providências ao Tribunal para sanar as irregularidades apontadas, o TCU decidiu suspender por 120 dias os casos que apresentem determinados indícios de irregularidades – de 15 tipos de suspeitas de fraude apontadas, o TCU liberou temporariamente beneficiários enquadrados em nove deles', informou o TCU em nota na última quinta-feira, 22 de setembro.


Já na gestão de Michel Temer, o Presidente do Incra, sob forte pressão do MST, se reuniu na véspera do feriado de 7 de setembro com ministros do TCU para pedir a liberação. Relembre: Presidente do Incra pede ao TCU que libere reforma agrária

O tribunal informou que atendeu ao pedido do Incra porque entendeu que parte dos beneficiários acabaram sob suspeita de fraude 'por falhas nos cadastros e banco de dados do Incra e não necessariamente por ação do agricultor.' Ainda de acordo com o TCU, serão exigidos do assentado documentos que comprovem a sua regularidade com o programa de reforma agrária para acesso a benefícios como crédito rural e assistência técnica. Além disso, o Incra terá que encaminhar à corte um relatório mensal 'das providências adotadas e resultados alcançados durante a vigência da suspensão da medida cautelar.'

Irregularidades

A decisão de abril do TCU impedia o Incra de fazer tanto a seleção de beneficiários quanto novos assentamento em terras destinadas à reforma agrária. A decisão foi tomada diante de indícios de irregularidades ocorridas na concessão de lotes do Programa Nacional de Reforma Agrária. Entre as irregularidades estava a concessão de benefício a servidores públicos, empresários, estrangeiros, aposentados por invalidez e até a pessoas falecidas.

Também foram encontrados casos de concessão de benefícios a pessoas com sinais de riqueza, como veículos de alto valor, além de pessoas com renda superior a três salários mínimos e vários políticos. Segundo o relatório do ministro Augusto Sherman, o corpo técnico do TCU informou a ocorrência de indícios de irregularidades em todos os estados do país.
Fonte: http://www.codigoflorestal.com/2016/09/tcu-libera-reforma-agraria-pedido-do.html





:: segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Alimentar o mundo

Alimentar o mundo

Isso exige inovação empreendedorismo, parcerias, coordenação público-privada

EVARISTO DE MIRANDA

26Setembro 2016 | 05h00

Divida a produção de grãos de um país pelo seu número de habitantes. Se o resultado ficar abaixo de 250 kg/pessoa/ano, isso significa insegurança alimentar. Países nessa situação importam alimentos, obrigatoriamente. E são muitos os importadores de alimentos vegetais e animais em todos os continentes, sem exceção. O crescimento da população, da classe média e da renda, sobretudo nos países asiáticos, amplia anualmente a demanda por alimentos diversificados e de qualidade, como as proteínas de origem animal.

O mais vendido refrigerante do mundo define sua missão como a de “saciar a sede do planeta”. A missão do Brasil já pode ser: saciar a fome do planeta. E com os aplausos dos nutricionistas.

Em 2015 o Brasil produziu 207 milhões de toneladas de grãos para uma população de 206 milhões de habitantes. Ou seja, uma tonelada de grãos por habitante. Só a produção de grãos do Brasil é suficiente para alimentar quatro vezes sua população, ou mais de 850 milhões de pessoas. Além de grãos, o Brasil produz por ano cerca de 35 milhões de toneladas de tubérculos e raízes (mandioca, batata,inhame, batata doce, cará, etc.). Comida básica para mais de 100 milhões de pessoas.

A agricultura brasileira produz, ainda, mais de 40 milhões de toneladas de frutas,em cerca de 3 milhões de hectares. São 7 milhões de toneladas de banana, uma fruta por habitante por dia. O mesmo se dá com a laranja e outros citros, quetotalizam 19 milhões de toneladas por ano. Cresce todo ano a produção de uva,abacate, goiaba, abacaxi, melancia, maçã, coco... Às frutas tropicais e temperadas se juntam 10 milhões de toneladas de hortaliças, cultivadas em 800 mil hectares e com uma diversidade impressionante, resultado do encontro da biodiversidade nativa com os aportes de verduras, legumes e temperos trazidos por portugueses, espanhóis, italianos, árabes, japoneses, teutônicos e por aí vai, longe.

À produção anual de alimentos se agrega cerca de 1 milhão de toneladas de castanhas, amêndoas, pinhões e nozes, além dos óleos comestíveis – da palma ao girassol – e de uma grande diversidade de palmitos. Não menos relevante é a produção de 34 milhões de toneladas de açúcar/ano, onipresente em todos os lares, restaurantes e bares. A produção vegetal do Brasil já alimenta mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, usando para isso apenas 8% do território nacional.

E a tudo isso se adiciona a produção animal. Em 2015 o País abateu 30,6 milhões de bovinos, 39,3 milhões de suínos e quase 6 bilhões de frangos. É muita carne.Coisa de 25 milhões de toneladas! O consumo médio de carne pelos brasileiros é da ordem de 120 kg/habitante/ano ou 2,5 kg por pessoa por semana. A estimativa de consumo médio de carne bovina é da ordem de 42 kg/habitante/ano; a de frango,de 45 kg; e a de suínos, de 17 kg; além do consumo de ovinos e caprinos (muito expressivo no Nordeste e no Sul), de coelhos, de outras aves (perus, angolas,codornas...), peixes, camarões e crustáceos (cada vez mais produzidos em fazendas) e outros animais.

O País produziu 35,2 bilhões de litros de leite (ante 31 bilhões de litros de etanol), 4,1 bilhões de dúzias de ovos e 38,5 milhões de toneladas de mel, em 2015. É leite, laticínios, ovos e mel para fazer muitos bolos, massas e doces nas casas do maior produtor de açúcar.

Em 50 anos, de importador de alimentos o Brasil tornou-se uma potência agrícola.Nesse período, o preço dos alimentos caiu pela metade e permitiu à maioria da população o acesso a uma alimentação saudável e diversificada e a erradicação da fome. Esse é o maior ganho social da modernização agrícola e beneficiou,sobretudo, a população urbana. O Brasil saiu do mapa dos países com insegurança alimentar.

Como crescimento da população e das demandas urbanas, o que teria acontecido na economia e na sociedade sem esse desenvolvimento da agricultura? Certamente, uma sucessão de crises intermináveis. Era para a sociedade brasileira agradecer todo dia aos agricultores por seu esforço de modernização e por tudo o que fazem pelo País. A Nação deve assumir a promoção e a defesa da agricultura e dos agricultores, com racionalidade e visando ao interesse nacional.

De 1990 a 2015 o total das exportações agrícolas superou US$ 1 trilhão e ajudou a garantir saldos comerciais positivos. A Ásia responde hoje por 45% das exportações do agronegócio brasileiro e a China, sozinha, por um quarto desse montante. Com a China, um parceiro estratégico para o futuro da agropecuária brasileira, criaram-se perspectivas novas e mútuas para indústrias de processamento, tradings e para investimentos em infraestrutura de transporte,armazenagem e indústrias de base.

A recém-concluída missão de prospecção e negócios de quase um mês por sete países da Ásia, liderada pelo ministro Blairo Maggi, buscou um novo patamar de inserção da agropecuária no comércio internacional. Acompanhado por uma equipe ministerial e por cerca de 35 empresários de 12 setores do agro, essa missão histórica percorreu China, Coreia do Sul, Hong Kong, Tailândia, Mianmar, Vietnã,Malásia e Índia. Alimentar o mundo é sinônimo de alimentar a Ásia. Isso exige empreendedorismo, inovação, coordenação público-privada e parcerias de curto e de longo prazos.

Mas o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, juntamente com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, tem uma meta ambiciosa:passar de uma participação decrescente de 6,9% no comércio agrícola internacional para 10%. E ser capaz, em breve, com tecnologia, sustentabilidade,competência e competitividade, de alimentar mais de 2 bilhões de pessoas.


 http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,alimentar-o-mundo,10000078155




:: domingo, 25 de setembro de 2016

Invasões e volta do MDA

sábado, 24 de setembro de 2016

Presidente da Contag defende invasões de propriedade e pede volta do MDA

O presidente da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch, defendeu as invasões de propriedade e a violência como 'unica forma' de pressionar o governo pela reforma agrária. “O governo só vai atrás de onde tem luta. É o extremo.” disse Broch em entrevista ao programa Direto ao Ponto do Canal Rural. 

Em abril passado, o Secretário de Finanças da Contag, Aristides Santos, também defendeu publicamente as invasões de propriedade em cerimônia no Palácio do Planalto. “A forma de enfrentar a bancada da bala contra o golpe é ocupar as propriedades deles ainda lá nas bases, lá no campo. E é a Contag, é os movimentos sociais do campo que vão fazer isso. Vamos ocupar os gabinetes, mas também as fazendas deles”, disse Santos na ocasião.

Veja a declaração:

O ato do Secretário da Contag foi decisivo para a toma de posição do setor rural a favor do impedimento da Presidente Dilma Rousseff. Agora a Contag volta a defender o ato ilegal das invasões de propriedade por meio das declarações de seu presidente.

Broch também pediu a recriação do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) que foi diluído por Michel Temer em sua primeira reforma ministerial. O MDA foi aparelhado pela Contag e o MST na era petista e era utilizado para transferir recursos públicos aos movimentos do campo. Para Broch, a extinção da pasta decorre de 'um ranço existente na política brasileira'.


A íntegra da entrevista vai ao ar no próximo domingo às 20:30 no Canal Rural.

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil fonte:http://www.codigoflorestal.com/2016/09/presidente-da-contag-defende-invasoes.html